Governo abre R$ milhões para quem está no Cadastro Único

PUBLICIDADE

OUÇA ESTE ARTIGO — AGENDA POSITIVA

O Ministério do Desenvolvimento Social e o Sebrae lançam, nesta semana, um edital que pode transformar a vida de milhões de brasileiros inscritos no Cadastro Único. Pela primeira vez em larga escala, entidades públicas e privadas sem fins lucrativos poderão se credenciar para desenvolver projetos de inclusão socioeconômica diretos com as populações mais vulneráveis. O prazo: 9 de novembro. Depois, fecha.

Não se trata apenas de um chamado burocrático. Enquanto 21 milhões de pessoas vivem com renda per capita abaixo de R$ 200 mensais, a maioria delas inscritas no CadÚnico, o Brasil finalmente reconhece que instituições locais — aquelas que entendem o bairro, a comunidade, o território — precisam comandar as políticas de emprego e renda. Quem ganha: os pobres urbanos e rurais que finalmente terão projetos pensados para sua realidade. Quem perde: modelos centralizados que nunca funcionaram.

Da promessa à porta da casa

Maria trabalha há três anos como catadora de recicláveis em Paraisópolis, São Paulo. Tem duas filhas, está no CadÚnico e ganha o suficiente para pagar aluguel — nada mais. Uma ONG local, credenciada neste edital, ofereceria a ela formação em empreendedorismo, acesso a microcrédito e conexão com redes de compra. Multiplicada por milhões, essa não é mais história de vida. É política de transformação.

Porque 31 milhões de brasileiros estão no Cadastro Único. Porque 15 milhões deles têm entre 15 e 29 anos e buscam sua primeira oportunidade. Porque as periferias urbanas concentram população jovem, criativa e sem acesso a capital inicial. Quando você abre a torneira para quem estava seco, a água chega rápido.

Por que demorou tanto?

Historicamente, programas de inclusão socioeconômica foram verticalizados — desenhados em Brasília, implementados por órgãos federais, frequentemente desconectados da realidade local. O resultado: desperdício de recursos, projetos que não pegam, indicadores de impacto duvidosos. As entidades comunitárias sempre souberam como chegar onde o Estado não conseguia. Mas faltava legitimidade orçamentária.

Este edital reconhece uma verdade incômoda: o poder público não consegue sozinho. Precisa de parceiros que entendem de território, de pessoas, de confiança construída ao longo dos anos. As fundações privadas, as associações de moradores, as cooperativas, as iglesias — toda essa malha de solidariedade que mantém as comunidades vivas — agora terá recursos federais para escalar o que já fazem informalmente.

Mas há questões em aberto. Quais serão os critérios de avaliação? Como garantir que o dinheiro chegue às organizações menores, aquelas que trabalham com os mais pobres entre os pobres, e não apenas às grandes ONG já consolidadas?

Onde isso já mudou vidas

Experiências piloto em estados como Ceará e Pernambuco mostram que quando você financia organizações locais para trabalhar com CadÚnico, a taxa de inserção em renda cresce entre 35% e 50%. Não porque os projetos são perfeitos. Mas porque conhecem o nome de cada pessoa, falam a mesma língua, entendem os obstáculos reais — falta de transporte, responsabilidades domésticas, pouca escolaridade.

Nós já sabemos o que funciona. A pergunta agora é: conseguimos escalar sem perder a qualidade? Conseguimos proteger essas organizações de pressões políticas que transformam políticas públicas em cabos eleitorais?

O que fazer agora

Se você trabalha em organização comunitária, associação, cooperativa ou fundação: acesse o edital no site do MDS. Analise os critérios. Junte seu time e envie uma proposta que faça sentido para seu território. Não precisa ser perfeito. Precisa ser real.

Se você está no CadÚnico e conhece alguma dessas entidades: cobre que eles se candidatem. Esse recurso é seu também. Se você é gestor público: prepare os sistemas para receber essas parcerias com transparência total. As comunidades merecem saber para onde o dinheiro vai.

O prazo é 9 de novembro. Depois disso, quem não entrou, esperaria 2026 — se houvesse novo edital. Duas semanas. Uma chance real de mudar a trajetória de gente que nunca teve chance de mudar nada. A decisão é coletiva. Mas o prazo é individual.

Fonte: @mdsgovbr no X (Twitter)

Mais recentes

Sete partidos se unem em coligação anunciada por Lula. A aliança reúne forças históricas da esquerda em nova estratégia para pleito próximo, mas efetividade depende de pressão das bases.
Lula aponta a vontade popular como força transformadora do Brasil. Com 37 milhões saídos da pobreza, o governo reafirma que mudança estrutural é possível—mas exige participação coletiva.
Márcio Chaer, fundador da Conjur, morreu deixando vazio concreto: quem fez a justiça deixar de ser privilégio. Seu legado de transparência importa demais.
Lula convoca para o 13 em tom que transcende campanha: um apelo à participação popular como ferramenta de continuidade democrática e política social.
Governo publica orientações para emergências enquanto 30 milhões de brasileiros vivem em áreas de risco sem conhecer os protocolos. O acesso à informação continua sendo o elo fraco da resposta a desastres.

PUBLICIDADE

Rolar para cima