SUS sob ameaça: por que Lula reafirma defesa do sistema

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Luiz Inácio Lula da Silva

O maior patrimônio de saúde do Brasil segue ameaçado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta semana seu compromisso com o Sistema Único de Saúde — a maior rede pública de assistência médica da América Latina, que atende 215 milhões de brasileiros. A declaração ressoa em momento crítico: o SUS enfrenta pressão orçamentária, sucateamento de unidades e propostas de privatização que ganham corpo nas universidades e no setor financeiro.

Não é um simples elogio institucional. É um recado político em contexto de disputa real. Enquanto a gestão anterior congelou investimentos em saúde, reduzindo recursos federais em termos reais, setores da sociedade financeira pressionam por modelo híbrido — onde hospitais públicos se tornem apenas “porta de entrada” e pacientes sejam direcionados para planos privados. Quem perde: os 70% dos brasileiros que dependem exclusivamente do SUS. Quem ganha: seguradoras e operadoras de planos.

Quando uma criança nasce numa favela do Rio de Janeiro

Quando uma criança nasce numa favela do Rio de Janeiro, seu parto é assistido pelo SUS. Quando um idoso sofre infarto em Manaus, o SUS o atende — sem questionar sua conta bancária. Quando um trabalhador rural precisa de quimioterapia em Pernambuco, o SUS oferece o medicamento. São 58 milhões de brasileiros que realizaram pelo menos uma consulta no sistema em 2023, segundo dados do Ministério da Saúde.

Essa coisa chamada SUS é, na verdade, a garantia de dignidade para mais de 150 milhões de pessoas. Você pode ter saúde como direito, não como mercadoria. Ou pode não ter nunca.

O SUS que ninguém vê, mas todos dependem

Criado em 1988, durante a redemocratização, o SUS nasceu de uma luta clara: a de que nenhum brasileiro deveria morrer por falta de dinheiro. Tinha um princípio fundador — universalidade — que significava: todos, sem exceção. Mas três décadas depois, esse princípio está sob erosão constante. Por quê? Porque há bilhões em jogo. A indústria de planos de saúde movimenta R$ 150 bilhões anuais no Brasil. Cada paciente que sai do SUS é um cliente potencial para o setor privado.

O subfinanciamento do SUS não é acaso. É escolha. Entre 2015 e 2020, a União cortou R$ 20 bilhões em investimentos de saúde. Hospitais fecharam alas. Médicos deixaram de receber há meses. Farmácias públicas ficaram vazias. E então vinha o discurso inevitável: “o SUS não funciona, é ineficiente, precisa de setor privado”. Mas qual seria o resultado se qualquer empresa privada operasse com orçamento reduzido em 30%? Qual é realmente o diagnóstico: falta de recursos ou falta de vontade política?

Quem está destruindo o SUS enquanto fala em salváalo

Alguns nomes precisam ser ditos. Economistas ligados ao Banco Central e a think tanks liberais têm proposto explicitamente a “flexibilização” do SUS — eufemismo para privatização gradual. A proposta é simples: mantenha o SUS para emergências e doenças raras (caras), abra espaço para operadoras privadas cuidarem de rotina, prevenção, procedimentos lucrativos. Resultado final: um sistema público reduzido à miséria, um sistema privado prospero. Dois Brasis, lado a lado.

Enquanto isso, 44 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha de pobreza. Para eles, não existe “escolha” entre SUS e plano privado. O SUS é a única opção.

Onde o SUS continua funcionando, apesar de tudo

Mas há brechas de esperança. Em cidades onde gestores municipais priorizaram investimento, o SUS ainda oferece atendimento digno. No Ceará e em Santa Catarina, programas de atenção básica reduziram mortalidade infantil em 30% nos últimos cinco anos. Em São Paulo, uma rede de centros de testagem de HIV realizou 2 milhões de testes gratuitos desde 2022. Esses números não aparecem nas mídias corporativas porque não vendem angústia.

O que essas experiências provam? Que SUS funciona quando é financiado, quando há vontade política, quando profissionais de saúde são valorizados. Nós já sabemos o que funciona. A pergunta agora é: vamos escolher proteger isso ou deixar que seja desmantelado?

A defesa do SUS é a defesa de nós mesmos

Defender o SUS não é defender burocracia estatal ou estruturas obsoletas. É defender a ideia radical de que ser pobre não deveria ser sinônimo de ser descartável. É defender que uma mãe em Salvador, um pai em Fortaleza, uma criança em Porto Alegre tenham acesso a diagnóstico, medicamento e esperança sem hipotecar a casa.

O reforço do SUS passa por financiamento real e aumentado. Passa por valorizar médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório — os invisíveis que mantêm o sistema funcionando com salários defasados. Passa por investimento em tecnologia, pesquisa, infraestrutura. Passa por impedir a privatização silenciosa de serviços.

Proteger o SUS é proteger a democracia — porque saúde é cidadania.

O chamado: agora é sua vez

Você pode começar hoje. Pressione seu deputado, seu senador: vote pelo aumento real de orçamento para saúde. Compartilhe histórias de quem o SUS salvou — sua mãe, seu filho, você mesmo. Organize em seu bairro para cobrar gestores municipais por investimento em postos de saúde. Vote em quem defende saúde pública como direito, não como mercado.

O SUS não é herança intocável. É promessa viva que precisa ser defendida, fortalecida, ampliada. Todo dia, em 67 mil unidades de saúde, esse experimento de dignidade continua funcionando.

A questão não é: o SUS vai sobreviver? A questão é: deixaremos que o destruam?

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

Foto: Lula Oficial/Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · tratamento: Agenda Positiva · original · licença

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