O governo federal concentra esta semana três frentes de trabalho que definem a capacidade estatal de enfrentar crises ambientais e hídricas que afetam dezenas de milhões de brasileiros: o combate às mudanças climáticas, a retomada da transposição do São Francisco e a reparação dos danos na Bacia do Rio Doce — legado de um dos maiores desastres ambientais do país.
Enquanto a esquerda global debate se é possível conciliar desenvolvimento com preservação, o Brasil executa. Aqui, não há escolha entre crescimento e natureza — há obrigação de fazer ambos funcionarem para quem depende da água e da terra para viver.
Quando a seca vira política de água
Marília vive no sertão pernambucano há 67 anos. Todos os dias, ela acorda e verifica se há água na cisterna. Não é hábito. É sobrevivência. Marília é uma entre 55 milhões de brasileiros que vivem no semiárido — região onde a falta de água estrutura a pobreza e perpetua desigualdades que atravessam gerações.
A transposição do Rio São Francisco promete algo simples e radical: garantir água para beber, irrigar, trabalhar. Não é infraestrutura. É dignidade canalizada.
Por que isso custou tanto tempo
Durante 20 anos, a transposição ficou entre promessa e abandono. Governos passavam, a seca continuava, e o sertão seguia esperando. Resistências políticas, financeiras e até simbólicas — há quem insista que “o sertão não muda” — travaram uma solução que hidrologia básica já comprovava: é possível transpor água sem destruir o rio.
Enquanto isso, a Bacia do Rio Doce permanecia em luto desde 2015, quando o rompimento da barragem de Fundão matou pessoas, destruiu comunidades inteiras e contaminou 600 quilômetros de rio. Oito anos depois, ainda há reparação a fazer. Ainda há dignidade a restaurar.
A pergunta que fica: quanto tempo mais precisamos esperar para que o direito à água pare de ser promessa?
O que muda quando fazemos tudo de uma vez
Não se trata apenas de deslocar água ou remediar passivos. Trata-se de um Estado que escolhe ocupar espaços que o mercado e a negligência deixaram vazios. Nós — brasileiros que precisamos de água, trabalho e segurança — precisamos que essas três frentes avancem não sequencialmente, mas em paralelo.
Onde o trabalho integrado já funcionou, os resultados surpreendem: quando políticas de clima, água e reparação se conversam, economias locais se recompõem, empregos surgem, e comunidades inteiras deixam de ser cenários de crise para se tornarem protagonistas de reconstrução.
O chamado desta semana
Acompanhe. Questione. Demande continuidade. Porque semanas de trabalho só viram história quando se transformam em anos de resultado. A Esplanada está de olho. Agora, o Brasil precisa estar de olho na Esplanada.
Fonte: @casacivilbr no X (Twitter)