No dia em que mais de 2 milhões de estudantes brasileiros enfrentam as provas do Enem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirma um compromisso que atravessa sua trajetória política: a educação como instrumento de transformação social. A mensagem, dirigida aos candidatos no domingo, não é meramente motivacional — é um posicionamento sobre quem o governo acredita que deve ter chances de futuro.
Para jovens de famílias pobres, periféricas e rurais, o Enem representa a via mais realista de acesso ao ensino superior. Sem ele, a probabilidade de chegar à universidade permanece próxima de zero. Com ele, abre-se uma brecha — ainda que estreita — em um sistema historicamente construído para favorecer filhos de ricos.
O estudante que carrega mais peso que uma mochila
Pense em Maria, 18 anos, de Maré, no Rio. Ela acordou cedo, pegou três ônibus para chegar ao local de prova, e agora senta em uma carteira de madeira com a caneta na mão, sabendo que aquelas quatro horas podem significar a diferença entre trabalhar em um supermercado ou estudar engenharia. Seu esforço não é diferente do de seus colegas de classe média — na verdade, é maior, porque ela precisou trabalhar de madrugada para pagar cursinho.
São 15,3 milhões de brasileiros em idade de fazer Enem. A maioria deles vem de escolas públicas, trabalha enquanto estuda, e carrega responsabilidades que seus pares privilegiados não carregam. Cada um deles sabe que a educação não é apenas um direito — é uma negociação com o futuro.
Mas por que tantos precisam negociar sozinhos?
A herança de abandono que o governo anterior deixou
Durante os últimos anos, a educação brasileira enfrentou contingenciamentos orçamentários, cortes à pesquisa e defasagem salarial de professores. O investimento público em educação estagnou enquanto a população crescia. Estudantes de escolas públicas recebiam menos recursos, menos professores, menos esperança.
Não era acaso. Era escolha.
Quando um governo reduz orçamento da educação, está decidindo que os filhos dos pobres não merecem as mesmas condições que os filhos dos ricos. Está delegando ao acaso genético e à renda familiar quem terá direito a sonhar. Enquanto isso, escolas privadas recebem isenções fiscais e crescem.
Por que a desigualdade educacional persiste quando sabemos exatamente como resolvê-la?
Nós já sabemos como funciona: o caminho existe
Países que transformaram educação em prioridade — Uruguai, Portugal, partes do Chile — não fizeram magia. Aumentaram investimento, remuneraram professores dignamente, descentralizaram recursos para escolas pobres. O resultado aparece nas estatísticas: mais mobilidade social, menos desigualdade, mais inovação.
O Brasil também conhece essa fórmula. Na década de 2000, quando educação foi prioridade orçamentária, o país avançou: criou universidades federais em centenas de cidades, transformou técnicos e graduados. Milhões de famílias ascenderam.
Nós sabemos o que funciona. A questão agora é se temos coragem de fazer de novo — desta vez, com escala ainda maior.
O que muda quando educação deixa de ser promessa
Se cada estudante que faz Enem hoje receber, de fato, educação de qualidade — não apenas acesso, mas qualidade — teremos circulação de talentos. Teremos engenheiras de favela, médicos de assentamento, cientistas de periferia. Teremos economia mais robusta porque investimos em gente, não em especulação.
Já funciona assim onde foi tentado. Agora se trata de escala. De decisão política.
O que você pode fazer agora
Se você é estudante: acredite no seu direito. Você merece estar na universidade. Sua origem não determina seu destino — sua determinação sim.
Se você é pai ou mãe: seu filho não está sozinho nessa prova. Todo o país que acredita em educação pública está ao seu lado.
Se você trabalha com educação: este é o seu momento. Exija mais recursos, mais reconhecimento, mais condições de trabalho. Você não é gerenciador de aulas — você é construtor de futuros.
Educação abre portas. Mas só funciona quando a gente a constrói juntos — e não a deixa como promessa para apenas alguns.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)
Foto: Lula Oficial/Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · tratamento: Agenda Positiva · original · licença