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O sistema que nenhum outro país conseguiu replicar
Enquanto países ricos discutem como financiar saúde pública, o Brasil já possui algo que a maioria do planeta inveja: um sistema de saúde universal, público e gratuito que atende 215 milhões de pessoas. O SUS não é apenas um serviço. É uma declaração de que saúde é direito, não mercadoria.
Essa singularidade histórica explica por que o sistema provoca tanto interesse — e tanto ataque. Quando Lula reafirma a excelência única do SUS, coloca em evidência um fato incômodo para os que lucram com doença: em um mundo onde saúde virou negócio, o Brasil insistiu em construir algo comum.
Vidas concretas dentro de números imensos
Maria dos Santos, 67 anos, diabética há 15 anos. Nunca pagou uma consulta. Nunca deixou de tomar insulina porque faltava dinheiro. Ela é uma entre 190 milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do SUS para viver.
Nos postos de saúde de favelas, nas unidades básicas de cidades do interior, nos hospitais universitários que realizam transplantes complexos — o SUS atua silenciosamente, transformando acesso em vida. Esse é o invisível que os números não capturam: cada vida poupada de escolher entre remédio e comida.
Mas há algo que une Maria com executivos, professores e agricultor — nenhum deles paga pelo atendimento no momento da emergência. Todos estão sob a mesma cobertura de proteção. Será que conseguiremos mantê-la?
Por que o SUS incomoda tanto quem lucra com saúde
A resposta está no dinheiro. O Brasil investe aproximadamente R$ 800 bilhões por ano em saúde — entre público e privado. O SUS absorve menos da metade desse valor e ainda assim atende quem o setor privado não quer: idosos crônicos, pobres urbanos, populações indígenas, pessoas com doenças raras.
Enquanto isso, a indústria privada de saúde movimenta R$ 400 bilhões anuais atendendo apenas 15% da população que pode pagar. O contraste é gritante. Um gasta menos, atende mais. O outro gasta mais, atende menos.
A história recente mostra tentativas de desmonte: sucateamento orçamentário, precarização de profissionais, redução de leitos. Cada corte tem nome e sobrenome — gestores que cortam, deputados que votam contra recursos, think tanks que dizem que SUS é inviável.
Mas por que ninguém consegue desmontar completamente o que funciona? Porque SUS também significa poder político. Remover o SUS significaria que 190 milhões de pessoas acordariam sem cobertura de saúde.
O caminho que já funciona em outros países — e aqui também
Portugal, Espanha, Reino Unido: todos têm sistemas de saúde universais. Nenhum é perfeito. Todos têm filas. Todos têm desafios de financiamento. Mas nenhum deixa gente morrer porque ela não tem cartão de crédito.
O Brasil já provou que é possível: campanhas de vacinação que erradicaram doenças, cirurgias complexas realizadas gratuitamente, atendimento a urgências que na maioria dos países cobram milhares. Nós fizemos isso. Nós conseguimos.
Agora o desafio é simples: investir mais no que funciona. Fortalecer o SUS não é ideologia. É pragmatismo. É proteger o que nos une.
O que fazer agora
Defender o SUS é defender a si mesmo. Significa exigir que governos federal, estaduais e municipais cumpram o pacto constitucional de saúde pública. Significa votar em quem investe em SUS, não em quem vende saúde para banco.
A mobilização não é opcional. Cada corte orçamentário que passa silencioso é uma fila que cresce, é uma vida que fica para trás. A escolha é nossa.
Nós construímos o SUS. Nós vamos defendê-lo.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)