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O Brasil tem tudo para se tornar potência mundial em terras raras até 2040. Um estudo lançado nesta quarta-feira (1º) no Rio de Janeiro, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, revela que o país possui capacidade produtiva e recursos naturais para conquistar fatia significativa do mercado global — um mercado que movimenta bilhões de dólares anualmente e é estratégico para tecnologia, defesa e energia limpa.
O levantamento coloca a Amazônia no centro da estratégia brasileira. Não é coincidência. A região concentra minerais raros essenciais para baterias, painéis solares e chips. Mas há uma encruzilhada: exploração responsável ou oportunidade perdida para outras nações? O estudo traz recomendações específicas de políticas públicas e investimentos que precisam sair do papel para o país não ficar para trás.
Quando os recursos se transformam em poder
Mineradores já operam na Amazônia, mas a maior parte do processamento de terras raras acontece na China. A China controla 70% da produção mundial. Enquanto isso, o Brasil vê seu potencial dormindo. Há empresas dispostas a investir bilhões em infraestrutura de processamento aqui — desde que haja segurança jurídica e planejamento estratégico claro.
Isso afeta diretamente 2 milhões de brasileiros que vivem em regiões com potencial minerário e poderiam acessar empregos de qualidade, formação técnica e renda. Mas também envolve comunidades indígenas, pequenos produtores rurais e cidades que dependem do equilíbrio ambiental. O que o estudo propõe? Desenvolvimento com controle.
Por que não avançamos até agora
A resposta está na falta de visão de longo prazo. Governos anteriores não conectaram mineração, tecnologia e inovação em uma estratégia coerente. Enquanto isso, a demanda global disparou: em 2020, o mercado de terras raras valia US$ 3,5 bilhões; em 2030, estimativas apontam para US$ 8 bilhões. Os países que não se posicionarem agora ficarão fora.
O Brasil tem vantagem geológica e de localização. Mas qual é o obstáculo real? Faltam investimentos públicos em pesquisa, na formação de mão de obra especializada e em centros de processamento. Falta também segurança regulatória — empresas não colocam bilhões em regiões onde as regras mudam a cada governo.
O que é possível fazer
Outros países já provaram o caminho. Vietnã, Tailândia e Austrália integram mineração, processamento e tecnologia em polos regionais. Nós podemos fazer o mesmo — mas com diferencial: respeito ambiental real, não de fachada. Um polo de terras raras no Brasil pode gerar 50 mil empregos diretos e indiretos em uma década, segundo projeções do setor.
O estudo sugere criar zonas de processamento especializadas, investir em universidades com cursos de engenharia de mineração e geologia, e atrair empresas multinacionais com linhas de crédito de longo prazo. Nós precisamos transformar recursos naturais em conhecimento e riqueza que fique aqui.
Chamada para o presente
O estudo saiu. Os dados estão na mesa. Agora vem a decisão política real: o governo vai transformar recomendações em políticas públicas concretas? Vai proteger a Amazônia enquanto desenvolve com responsabilidade? Vai investir em educação técnica para que brasileiros dominam essa cadeia?
A janela de oportunidade é curta. Chineses, americanos e europeus já estão se movimentando. O Brasil não pode escolher entre desenvolvimento e preservação — precisa fazer os dois. E isso começa agora, com recursos, regulamentação e determinação.
Acompanhe o processo. Pressione por transparência. Nós temos tudo para isso. A questão é: vamos usar?
Fonte: @gov_mcti no X (Twitter)