Noventa e duas unidades móveis levam mamografia ao Brasil que não tem acesso

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O presidente Luiz Inácio Lula visitou nesta terça-feira no Rio de Janeiro uma das 92 unidades da Carreta da Saúde da Mulher em operação no país — um projeto que democratiza o acesso a exames preventivos em regiões onde clínicas particulares sequer existem. Mamografias, ultrassonografias e consultas ginecológicas que custam centenas de reais nas capitais chegam de graça em cidades pequenas e periferias urbanas.

A iniciativa revela uma realidade incômoda: milhões de mulheres brasileiras nunca fizeram uma mamografia na vida. Enquanto isso, câncer de mama avançado mata preventivamente — ou seja, morre-se não pela doença em si, mas pela chegada tardia ao diagnóstico. A Carreta não apenas oferece exames. Oferece chances.

Quando a prevenção vira privilégio

Imagine estar com uma nódulo nas mamas e precisar viajar 200 quilômetros para uma consulta que você não pode pagar. Maria, 52 anos, moradora de uma cidade de cinco mil habitantes no interior do Ceará, vivia exatamente isso. Quando a Carreta chegou em sua região, ela foi uma das primeiras a entrar. Descobriu um tumor em estágio inicial — e continua viva.

Histórias como a de Maria se multiplicam. Cerca de 15 milhões de mulheres brasileiras vivem em municípios sem sequer um mastologista. Não é falta de doença. É falta de porta de entrada. Nós construímos um sistema onde a sobrevivência depende do CEP onde você nasceu.

Por que 92 carretas ainda não são suficientes

O Brasil tem 5.570 municípios. A Carreta da Saúde da Mulher alcança uma fração deles — importante, mas insuficiente. O problema histórico: durante décadas, governos negligenciaram a saúde preventiva de mulheres pobres. Deixaram a máquina pública sucatear. Permitiram que o setor privado capturasse a narrativa de que qualidade só existe quem paga.

Dados do Instituto Nacional de Câncer mostram que mulheres de baixa renda chegam ao diagnóstico de câncer de mama em estágios 3 e 4 — quase o dobro da taxa entre mulheres ricas. Está embutido no financiamento da saúde uma sentença de morte. Mas qual seria o verdadeiro custo de um rastreamento nacional em larga escala?

Inversão de lógica: cuidado que funciona

A Carreta prova que é possível outro caminho. Não é ficção científica. É execução de política pública com escala. Onde a iniciativa passa, mulheres diagnosticam precocemente. Recebem tratamento no SUS. Sobrevivem. Nós sabemos fazer isso — a questão é se temos coragem de financiar completamente.

Outros países já universalizaram rastreamento mamográfico itinerante. A Austrália, a Dinamarca, até o Uruguai. Não por generosidade. Por matemática simples: prevenir custa mil vezes menos do que tratar metástase terminal.

O que muda agora

A expansão da Carreta é apenas o começo. O verdadeiro teste é se essas 92 unidades ganham orçamento permanente — ou viram anúncio de campanha. Se viram ponte para rastreamento em rede fixa. Se transformam a lógica de que mulher pobre descobre câncer quando já é tarde.

Você conhece uma mulher que nunca fez mamografia? Pressione seu deputado e seu governador para que a Carreta chegue à sua região. Não é pedido ao governo. É direito. Saúde preventiva não é luxo. É democracia.

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

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