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O presidente Lula participou nesta semana da abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, um encontro que reposiciona o Brasil como protagonista de uma cooperação acadêmica e científica com o continente africano. O evento marca um ponto de inflexão: enquanto o mundo segue fragmentado, duas regiões do Sul Global constroem pontes de conhecimento que podem reconfigurar a geopolítica da educação superior nos próximos vinte anos.
O fórum não é apenas simbólico. Representa uma estratégia concreta de fortalecer instituições que formam milhões de jovens todos os anos. Quem ganha? Estudantes de comunidades periféricas que acessarão pesquisas, bolsas e oportunidades internacionais. Quem perde? Os oligopólios educacionais do Norte que lucram com a dependência intelectual do Sul. É uma redistribuição de poder disfarçada de cooperação.
A universidade que educa de verdade muda vidas inteiras
Maria Santos é bolsista em uma universidade federal brasileira. Ela não tem acesso direto a laboratórios de ponta, não participa de redes internacionais de pesquisa, não conhece colegas que estudam os mesmos problemas do outro lado do Atlântico. Mas depois de hoje? Milhões como Maria — em universidades públicas do Brasil, em instituições de toda a África — entram em um ecossistema onde colaboração, não competição, move a máquina.
Quando reitores cruzam fronteiras para desenhar currículos conjuntos, quando pesquisadores compartilham dados sobre saúde tropical, agricultura sustentável e energias renováveis, a educação sai do livro e entra na vida. Nós sabemos disso. Já experimentamos.
Por que isso era impossível até agora?
A cooperação Brasil-África em educação superior não é nova, mas foi sempre marginal. Estruturada por quem? Pelas antigas potências coloniais que preferiam manter universidades africanas como satélites de instituições europeias. O Brasil, por sua vez, olhava para Washington e Paris quando precisava de credibilidade acadêmica. Invadia seus próprios acervos de conhecimento.
Os números revelam a realidade: menos de 3% das pesquisas produzidas conjuntamente por Brasil e África nos últimos dez anos tiveram financiamento direto de programas de cooperação bilateral. O resto foi iniciativa isolada, heróica e subfinanciada de professores que acreditavam. Por que essa diferença não foi colmatada antes?
Nomes, dados e responsabilidades concretas
O Ministério da Educação, sob gestão que agora prioriza essa agenda, estruturou o fórum com metas específicas: aumentar em 40% os acordos de pesquisa conjunta nos próximos três anos. Quarenta por cento. Números não mentem.
Mas isso depende de quê? De financiamento real. De bolsas de mobilidade. De infraestrutura. De compromisso político que não desaparece quando calendários mudam. A diferença entre anúncio e transformação é feita de orçamento.
O futuro que já funciona em outros lugares
Na Índia, a colaboração Sul-Sul em educação cresceu 67% na última década porque houve investimento consistente. Na China, universidades construíram redes com toda a África e agora colhem pesquisadores de classe mundial e influência geopolítica. Nós temos recurso, capilaridade e legitimidade que eles não tinham. O caminho está mapeado.
Nós podemos estruturar redes permanentes de pesquisa. Nós podemos criar bolsas de doutorado sanduíche Brasil-África. Nós podemos democratizar acesso a conhecimento que hoje está trancado em universidades privadas do eixo Norte. A tecnologia existe. Os pesquisadores existem. O que faltava era vontade política. Agora não falta mais.
O que vem a seguir depende de nós
Um fórum é o começo. A transformação real acontece quando reitores voltam às suas universidades e convertem intenções em decretos, quando editais financiam pesquisa conjunta, quando alunos de São Luís estudam ao lado de alunos de Lagos. Essa é a revolução silenciosa que o Brasil pode liderar.
Se você trabalha em universidade, institua pesquisa conjunta com parceiros africanos. Se você é aluno, procure editais de mobilidade que agora estarão visíveis. Se você é gestor, pressione por orçamento. A cooperação Brasil-África não é luxo. É sobrevivência intelectual num mundo que não espera por ninguém.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)