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Brasil leva fome à mesa da ONU enquanto milhões passam necessidade
O Ministério do Desenvolvimento Social participa nesta quarta-feira (16 de outubro) de um webinário global sobre alimentação ao lado da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A transmissão ao vivo, que começa às 16h no canal da FAO no YouTube, marca o Dia Mundial da Alimentação em um ano em que o Brasil redescobre sua força na pauta de segurança alimentar após anos de retrocesso.
A participação brasileira não é simbólica. O país que alimentou o mundo nos últimos dois séculos volta a ocupar espaço nas discussões globais sobre como alimentar populações vulneráveis. Mas há uma tensão óbvia aqui: enquanto diplomatas discutem soluções internacionais, 58 milhões de brasileiros ainda vivem em situação de insegurança alimentar — número que cresceu exponencialmente durante a pandemia e só agora começa a recuar.
A história de quem não tem o que comer
Quando Maria da Silva acorda em sua comunidade no Rio de Janeiro, a primeira preocupação não é trabalho ou família. É comida. Ela é uma entre milhões de brasileiros que saltam da cama sem saber se conseguirão preparar uma refeição para os filhos. Essa realidade invisível aos olhos das capitais ganha voz justamente quando o Brasil retorna à agenda internacional de alimentação.
Não é história de pobreza abstrata. São 58 milhões de pessoas. São crianças com desempenho escolar comprometido. São famílias que escolhem entre insulina e arroz. São comunidades que esperam programas sociais como oxigênio — porque, literalmente, eles alimentam a esperança.
Por que voltamos a falar sobre fome agora?
Entre 2016 e 2022, o Brasil deixou o Mapa da Fome da ONU. Políticas públicas estruturantes funcionaram. O Bolsa Família (hoje Auxílio Brasil) erradicou extrema pobreza em larga escala. Programas de aquisição de alimentos conectavam pequenos produtores rurais a comunidades urbanas. A engrenagem social tinha óleo.
Depois veio o desmantelamento. Orçamentos cortados. Programas enfraquecidos. A fome retornou como resultado direto de escolhas políticas — não de destino inevitável. Essa é a razão pela qual o Brasil senta à mesa da FAO agora: porque tem lições de sucesso a compartilhar e, simultaneamente, feridas recentes a cicatrizar.
A pergunta incômoda permanece: quantos brasileiros precisam voltar a passar fome para que políticas de alimentação ganhem prioridade real nos orçamentos públicos?
Responsabilidade tem nome e número
O MDS, sob liderança de Wellington Dias, assume responsabilidade direta pela agenda de segurança alimentar. Não é apenas participar de webinários. É restaurar estruturas que funcionaram. É financiar programas que alimentam enquanto geram renda. É conectar mesa de ricos e pobres através de política pública pensada.
Fome não é falta de comida no mundo. Fome é falta de políticas públicas.
O que já provou funcionar
Nós — como sociedade organizada — já sabemos o que funciona. O Programa de Aquisição de Alimentos conecta pequenos agricultores a pessoas em situação de vulnerabilidade. Restaurantes populares alimentam trabalhadores. Cozinhas comunitárias transformam refeições em encontro e dignidade. Quando temos vontade política e orçamento, a fome recua.
Outros países aprenderam com o Brasil. A participação do MDS no webinário da FAO não é para receber lições — é para lembrar o mundo que sabemos dar respostas concretas quando priorizamos vidas humanas em vez de outras agendas.
O que fazer agora
Participar do webinário (16 de outubro, 16h, canal FAO no YouTube) é mais que assistir a uma apresentação. É acompanhar o Brasil reafirmando compromisso com segurança alimentar como direito humano fundamental. Mas pressão real acontece fora das transmissões: demandando que orçamentos públicos voltem a alimentar pessoas, que programas estruturantes ganhem continuidade, que pequenos agricultores tenham mercado garantido.
A fome no Brasil não é problema técnico. É escolha política. Nós podemos mudar isso.
Fonte: @mdsgovbr no X (Twitter)