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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta semana uma convicção que atravessa sua trajetória política: a prosperidade não é um prêmio para poucos eleitos, mas um direito fundamental que deve alcançar todos os brasileiros. A declaração, feita em tom de confrontação às estruturas históricas de exclusão, reposiciona o debate econômico do país em torno de uma questão central que divide governos e sociedade há séculos.
Por trás dessa afirmação está um diagnóstico simples e devastador: enquanto 10% dos brasileiros mais ricos concentram 55% da renda nacional, 50% da população vive com menos de dois salários mínimos por mês. A prosperidade, nesse cenário, não é direito — é monopólio. Essa inversão de narrativa tem implicação direta no financiamento de políticas públicas, na tributação dos mais ricos e na distribuição de recursos para saúde, educação e trabalho.
A vida que pede por mudança
Maria trabalha há 15 anos como diarista em São Paulo. Acorda às 4 da manhã, pega dois ônibus, ganha R$ 80 por dia em casarões do bairro Vila Mariana. Seu filho estuda em escola pública sucateada. Ela nunca teve acesso a crédito para abrir um negócio próprio, nunca teve renda estável o suficiente para financiar uma casa.
A história de Maria não é exceção — é a realidade de 68 milhões de brasileiros que vivem na faixa de pobreza ou vulnerabilidade econômica. Para essas pessoas, a “prosperidade” que veem na televisão não é direito alcançável. É ficção distante. Mas quando políticas de transferência de renda, microcrédito e profissionalização são implementadas, essa ficção começa a ganhar contornos reais. Famílias saem da pobreza. Pequenos negócios nascem. Educação deixa de ser privilégio de classe.
Por que a desigualdade persiste como estrutura
A prosperidade foi historicamente construída como privilégio porque serve a interesses específicos. Elites econômicas que herdam fortunas, que têm acesso a educação de qualidade desde a infância, que conseguem crédito fácil para expandir negócios — essas populações têm razões concretas para manter o sistema como está. Quanto menor a mobilidade social, maior o poder relativo dos que já têm.
Nas últimas décadas, políticas de austeridade fiscal e redução de investimento público aprofundaram esse abismo. Entre 2017 e 2022, o Brasil cortou recursos de programas sociais enquanto os ganhos de capital no país explodiram. A pergunta que ninguém quer responder é simples: por que investir em educação pública é visto como “gasto” enquanto isenções fiscais para grandes empresas são consideradas “estímulo econômico”?
O custo real da exclusão
Quando a prosperidade é privilégio, o país inteiro paga a conta. Violência urbana aumenta. Capacidade produtiva decresce. Mercado interno enfraquece. Um país onde metade da população tem poder de consumo reduzido é um país que não cresce de forma sustentável. Simples assim.
Números mostram isso claramente: a redução de 5 pontos percentuais na pobreza extrema entre 2020 e 2023 foi acompanhada de crescimento do PIB acelerado e geração de empregos formais. Quando pessoas saem da pobreza, elas consomem, abrem negócios, pagam impostos. A economia se expande para todos.
Nós já sabemos o que funciona
Em cidades e estados onde programas integrados de renda básica, educação profissional e microcrédito foram implementados com seriedade, a mobilidade social voltou a funcionar. Porto Alegre, com seu orçamento participativo. Cidades nordestinas com políticas de economia solidária. Até no exterior: a Coréia do Sul converteu prosperidade de elite em prosperidade compartilhada em três décadas através de investimento massivo em educação pública e acesso ao crédito para pequenos negócios.
O modelo existe. Funciona. Não é utopia — é pragmatismo com justiça. O que falta é decisão política de priorizar a maioria sobre os interesses financeiros concentrados.
A urgência do momento
Cada ano que passa com estruturas de exclusão intactas é um ano de vidas desperdiçadas, potencial não realizado, criança que não aprende porque está trabalhando. O Brasil não pode esperar pelo “crescimento que pinga para baixo” — essa frase nunca saiu da gaveta teórica para a realidade.
A convocação é clara: nós, como sociedade, precisamos escolher qual Brasil queremos construir. Um onde a prosperidade segue sendo senha de acesso para poucos. Ou um onde é direito, finalmente, de todos.
Comece agora. Converse com seu representante sobre orçamento participativo na sua cidade. Exija transparência sobre alocação de recursos públicos. Vote em candidatos que entendem que economia é, antes de tudo, justiça.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)