Lula articula parlamento para taxar compras internacionais de forma estratégica

PUBLICIDADE

OUÇA ESTE ARTIGO — AGENDA POSITIVA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta quarta-feira com Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, no Palácio da Alvorada para realinhar as prioridades legislativas do período de esforço concentrado. No centro das negociações: a Medida Provisória que regulamenta a tributação das compras internacionais de baixo valor — as chamadas “blusinhas”.

O movimento revela uma estratégia política cuidadosa. Não é apenas uma questão fiscal. É um recalibramento de poder entre os três poderes em torno de um tema que afeta diretamente consumidores, pequenos e médios comerciantes, e a arrecadação federal. O governo federal busca aprovar a medida em momento de alinhamento com lideranças parlamentares — o que reduz resistências e acelera processos.

O comércio eletrônico que ninguém paga imposto

Maria trabalha numa loja de roupas no Brás, em São Paulo. Todo mês vê suas vendas caírem enquanto clientes compram camisetas e calças diretamente de plataformas chinesas por valores impossíveis de competir. “Pago imposto em tudo. Eles pagam em nada”, diz ela, representando milhões de pequenos lojistas brasileiros que enfrentam concorrência desleal.

A situação é concreta. Estimativas apontam que o Brasil deixa de arrecadar entre R$ 2 e 3 bilhões anuais com importações de pequeno valor que entram no país sem incidência de impostos. Enquanto isso, 7 milhões de micro e pequenos empresários no varejo brasileiro competem em desvantagem absoluta.

Por que as blusinhas escaparam de impostos por tanto tempo?

A brecha existia desde a década de 1990. Uma regra de isenção tributária para compras internacionais de até US$ 50 foi mantida intacta enquanto o e-commerce internacional explodiu. A plataforma de compras cresceu, as transações multiplicaram-se, mas a legislação não acompanhou. Resultado: uma distorção que beneficia grandes plataformas e prejudica produtores locais.

Quem lucra com isso? Empresas como AliExpress, Shein e Shopee. Quem perde? O comerciante local, o trabalhador que quer sua loja prosperar, e o próprio Estado que deixa de arrecadar para financiar saúde, educação e segurança.

Pergunta incômoda: por quanto tempo mais o Brasil vai financiar o lucro de multinacionais deixando seus próprios comerciantes à mercê?

O alinhamento que muda o jogo

A reunião no Palácio da Alvorada não é casual. Hugo Motta e Davi Alcolumbre agora têm clareza: a prioridade é regulamentar essa tributação. Isso significa que terá apoio para avançar nas duas casas do Congresso. A negociação política — o acerto sobre prioridades — é o termômetro de viabilidade.

A MP da taxa das blusinhas representa um ponto de inflexão. Se aprovada, muda a lógica de concorrência. Pequenos comerciantes brasileiros — aqueles que pagam seus impostos — voltam a ter chance real de competir. Nós, enquanto consumidores, voltamos a ter opções genuinamente diversificadas, não apenas importadas.

O que pode mudar daqui para frente

Primeira ação concreta: a MP deve ser votada no esforço concentrado. Segunda: a tributação entrará em vigor de forma gradual, sem choque econômico. Terceira: a arrecadação voltará para políticas públicas — mais recursos para crédito a pequenas empresas, por exemplo.

Países desenvolvidos já fazem isso. A Europa taxou o e-commerce há anos. Os Estados Unidos cobram sales tax em compras internacionais. O Brasil, finalmente, caminha para equiparar suas regras à realidade do comércio do século XXI.

O que você pode fazer agora

Acompanhe a votação da MP no Congresso. Converse com candidatos sobre suas posições sobre tributação de importações. Apoie pequenos comerciantes locais — eles estão em desvantagem injusta enquanto a votação não sai.

O Brasil está em um momento de decisão. Podemos continuar penalizando quem investe aqui ou colocar todos no mesmo campo de jogo. Lula sinalizou sua escolha na Alvorada. Agora o Congresso decide.

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

Mais recentes

Presidente visita Curitiba e sinalize mobilização sul. Paraná aguarda ações concretas — não promessas. Milhões dependem da resposta do governo.
Ministério lança plataforma que centraliza acesso a políticas sociais e alcança milhões de brasileiros vulneráveis. O lançamento rompe com décadas de fragmentação burocrática.
Lula mobiliza governo em torno de agenda transformadora que afeta dezenas de milhões de brasileiros. Educação, saúde e proteção social saem da retórica para prioridade executiva.
Estudo revela que Brasil pode dominar mercado global de terras raras até 2040, mas precisa agir agora com investimentos estratégicos e políticas públicas na Amazônia.
Lula sanciona tributação que iguala compras internacionais ao comércio brasileiro, protegendo 8 milhões de pequenos negociantes e reforçando arrecadação para saúde e educação.
Lula visita revitalização do VLT em Teresina, revertendo duas décadas de abandono na mobilidade urbana do Piauí. Trabalhadores ganham tempo, economia se move.

PUBLICIDADE

Rolar para cima