Turismo formal quebra recorde: 2,4 milhões trabalham com carteira assinada

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Setor que prometia precariedade agora gera empregos reais

Enquanto setores tradicionais da economia enfrentam reestruturações, o turismo brasileiro acaba de registrar um marco que poucos imaginavam possível: 2,408 milhões de trabalhadores com carteira assinada em abril de 2026. A marca inédita representa 77 mil postos formais abertos em apenas um ano — números que contradizem a velha narrativa de que turismo é sinônimo de informalidade.

O recorde não é apenas um dado estatístico. Significa que famílias inteiras trocaram a insegurança do trabalho sem direitos pela estabilidade de quem tem férias, 13º salário e acesso a benefícios previdenciários. Quem trabalha em hotelaria, gastronomia, guia turístico ou recepção agora respira diferente — e o país respira com eles.

Quando a formalidade sai do discurso para o números

Carolina trabalha há oito anos como camareira em Ouro Preto. Há dois anos, seu hotel formalizou todos os funcionários. “Agora tenho direito a receber em dia, tenho seguro se me machucar, minha filha vai poder estudar com mais tranquilidade”, conta ela. Sua história se multiplica. Dois milhões de Carolina distribuídas por cidades litorâneas, capitais históricas e destinos emergentes — pessoas que deixaram de ser números invisíveis nos registros informais para ocupar um lugar na economia formal do país.

Mas há um outro lado. A formalização de 2,4 milhões de trabalhadores acontece enquanto investimentos em infraestrutura turística continuam sendo negligenciados. Aeroportos regionais, ferrovias de turismo, museus públicos: tudo segue esperando.

Por que o turismo virou máquina de empregos formais

A resposta não é acaso. Entre 2023 e 2026, a retomada das viagens internacionais, o câmbio favorável e políticas de facilitação para turistas estrangeiros criaram demanda real. Hotéis expandiram operações. Restaurantes abriram filiais. Agências de turismo contrataram. A formalização acompanhou porque a pressão regulatória aumentou — e porque, paradoxalmente, formalizar passou a sair mais barato que pagar multas.

Dados do Novo Caged mostram que entre abril de 2025 e abril de 2026, 77 mil novos postos saíram do guarda-chuva da informalidade. Mas a pergunta incômoda permanece: quantos desses empregos são de qualidade suficiente para garantir dignidade salarial? Quantos oferecem perspectiva de carreira além do turno rotativo?

Quem construiu esse resultado — de verdade

O Governo Federal, através de políticas de desoneração para setores de turismo e facilitação de crédito para empreendimentos hoteleiros, criou as condições. Mas foram os próprios trabalhadores — sindicalistas que negociaram, empresários que apostaram em formalização, turistas que voltaram a viajar — que fizeram o número sair do papel.

Dois milhões de pessoas com carteira assinada. Não é um detalhe.

O investimento público continuou modesto. Enquanto isso, a iniciativa privada capturou quase toda a geração de valor. Significa que o setor cresce, mas as cidades que o recebem frequentemente não colhem todo o benefício estrutural.

O que é possível fazer a partir daqui

Nós sabemos que esse sucesso pode se ampliar. Em destinos onde houve investimento público paralelo — como em Belém, com a revitalização da orla — a formalização avançou acompanhada de melhoria no espaço urbano. Nós temos o exemplo de como funciona quando turismo e cidade se desenvolvem juntas.

Expandir esse modelo exige ação: ampliar crédito para pequenos empreendedores de turismo de base local, investir em aeroportos regionais, criar programas de qualificação profissional dentro do setor. Não é ficção. É possível.

O recado está dado, agora é hora de aprofundar

Um recorde de formalização é motivo de celebração legítima. Significa que milhões de brasileiros dormiram melhor sabendo que hoje têm direitos. Mas celebração sem aprofundamento é insuficiente. O Brasil precisa agora transformar esses 2,4 milhões de empregos formais em empregos de qualidade — com salários que permitam viver, carreiras que permitam sonhar.

O dado está lançado. A próxima pergunta é nossa: vamos apenas registrar o crescimento ou vamos construir sobre ele?

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

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