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Jovens que transformaram encontros em shoppings em atos políticos contra a segregação ganharam protagonismo renovado. O documentário Rolê – Histórias dos Rolezinhos, lançado na plataforma Tela Brasil pelo Ministério da Cultura, resgata as narrativas de quem ocupou espaços públicos para questionar o direito à cidade. Essa é a história de milhões de adolescentes brasileiros para quem o shopping center representa não lazer, mas trincheira de igualdade.
A cidade que nega espaço
Os rolezinhos não começaram como movimento. Começaram como resposta. Quando seguranças impediam entrada, quando vigilância focava nos rostos negros e periféricos, jovens decidiram que ocupar era um ato político. O documentário não romantiza: mostra o confronto direto entre quem governa a cidade e quem vive nela. Nomes e histórias reais. Medo e coragem lado a lado.
Estamos falando de cidades onde a segregação não é acidental — é estrutura. Shopping centers em bairros ricos funcionam como fortalezas. Políticas de segurança seletiva criam dois acessos à mesma cidade. Dezenas de jovens foram presos em 2013 e 2014 por simplesmente ocuparem espaço público. Que lei criminalizava o encontro entre amigos?
Documentário como ferramenta política
A escolha do governo em distribuir Rolê pela Tela Brasil não é administrativa. É uma declaração. Significa reconhecer que jovens periféricos produziram teoria política com seus corpos. Significa devolver a narrativa para quem viveu. Significa que sete anos depois, a conversa mudou de lugar: não é mais o jornalismo corporativo definindo “rolezinhos”, é a voz dos protagonistas.
Nós sabemos que cultura e política se tocam aqui. Quem controla as imagens controla as cidades.
O direito à cidade como direito fundamental
Os rolezinhos articularam algo que urbanistas levam décadas para nomear: a cidade é política. Não é neutra. Não é para todos. Cidades brasileiras concentram investimento em zonas de alto consumo e militarizam acesso de quem não tem renda compatível. Resultado: jovens negros de periferia vivem em duas cidades simultâneas. Uma que podem habitar. Outra que lhes é negada.
O documentário deixa aberto: quando reconhecemos o direito à cidade, o que muda nas políticas públicas? Como financiamos lazer e convivência em favelas da mesma forma que financiamos segurança para shoppings?
De movimento silenciado a patrimônio cultural
Em 2013, jornais chamavam de “baderna”. Polícias respondiam com força. Hoje, é documentário no catálogo do governo. A mudança não é automática — é resultado de resistência. De jovens que continuaram falando. De coletivos que documentaram. De organizações que pressionaram narrativas.
Assistir ao documentário não é consumo passivo. É participação numa conversa que ainda não terminou. Nós decidimos quais histórias valem ser contadas. Nós decidimos se cidades são para alguns ou para todos.
Próximos passos
Rolê – Histórias dos Rolezinhos está disponível na Tela Brasil. Assista agora. Compartilhe. Converse com jovens sobre o direito à cidade. Porque o rolezinho continua — agora com câmera própria, narrativa própria, poder próprio. A cidade ainda é o campo de disputa. Nós é que decidimos de que lado estamos.
Fonte: @CulturaGovBr no X (Twitter)