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A Praia de Tambaba, em Conde, na Paraíba, emerge como ativo estratégico no portfólio turístico do Brasil. O Ministério do Turismo intensifica a promoção de destinos naturais nordestinos — movimento que promete ampliar receitas e criar postos de trabalho em regiões historicamente marginalizadas pelos investimentos federais.
Enquanto gigantes do turismo concentram-se no Sudeste, comunidades litorâneas paraibanas veem na conectividade digital e na valorização de seus ativos naturais uma porta de saída para a precarização econômica. A estratégia, porém, esbarra em questão crucial: quem realmente lucra com essa expansão?
Quando a natureza vira oportunidade
Maria José trabalha há oito anos com hospedagem na região de Conde. Sua pousada simples, construída com economia própria, recebe turistas em busca de autenticidade — aqueles que rejeitam resorts padronizados. “Antes era complicado. Agora vejo mais interesse, mais gente chegando,” conta ela, enquanto organiza quartos para o fim de semana.
Sua história multiplica-se. Aproximadamente 2,3 milhões de brasileiros trabalham na cadeia produtiva do turismo. Desses, quase 40% vivem em municípios com economia frágil, dependentes de sazonalidade. Tambaba representa oportunidade concreta para essa população — desde condutores de passeios até proprietários de pequenas hospedarias que empregam vizinhos e parentes.
Mas há tensão subjacente. Quando um destino ganha visibilidade nacional, especuladores imobiliários acordam. E aí? A comunidade local sai ou é expulsa?
O grande negócio do turismo de massa regional
O Brasil recebe aproximadamente 6 milhões de turistas internacionais anualmente. Desses, menos de 15% exploram roteiros nordestinos com profundidade. A razão é estrutural: falta conectividade, informação e investimento público em infraestrutura básica nas cidades menores.
O Ministério do Turismo, ao amplificar destinos como Tambaba via redes sociais e hashtags institucionais, reconhece essa lacuna. O diagnóstico é correto. A execução, porém, carece de blindagem social. Quem garante que a pequena proprietária Maria José terá acesso a crédito para expandir seu negócio? Quem impede que um grande operador turístico chegue, compre terras a preço de banana e implante resort que a marginaliza?
Aqui reside o vazio político. Promoção sem proteção gera desigualdade — não desenvolvimento.
O que é possível fazer agora
Nós podemos construir turismo diferente. Cooperativas de pequenos empreendedores, acessos a linhas de crédito com taxa social, formação em gestão e sustentabilidade — essas ferramentas já existem em experiências bem-sucedidas no Brasil.
A Paraíba possui riqueza natural incomparável. Faltam políticas que garantam que essa riqueza permaneça nas mãos de quem a habita. O modelo não é novo: Bahia, Amazonas e Santa Catarina já implementam programas de turismo comunitário. Funciona.
Tambaba pode ser marco não apenas de beleza, mas de inclusão econômica genuína.
A hora é agora
A promoção de destinos turísticos nordestinos é justa e necessária. Mas só funciona se proteger quem vive lá. Pressione seu representante para exigir que o Ministério do Turismo apresente plano concreto de garantias: crédito para empreendedores locais, legislação contra especulação imobiliária, capacitação em gestão sustentável.
Turismo com justiça social é possível. É só uma questão de vontade política. Compartilhe essa exigência. Nós ganhamos quando a comunidade ganha.
Fonte: @MTurismo no X (Twitter)