Mulheres que acordam antes do sol sustentam Brasil invisível

PUBLICIDADE

Mulheres que acordam antes do sol sustentam Brasil invisível

🎙 OUÇA ESTE ARTIGO — AGENDA POSITIVA

No Dia das Mães, enquanto o Brasil celebra, milhões de mulheres continuam o trabalho que nunca para: sustentar famílias inteiras com coragem, madrugadas e sacrifício cotidiano. O presidente Lula evocou a memória de sua mãe, Dona Lindu, para nomear uma realidade que a sociedade prefere ignorar — a das mulheres que acordam antes do sol para oferecer esperança.

Essa não é uma homenagem sentimental. É um reconhecimento político de que o Brasil está de pé porque mulheres carregam o peso invisível da reprodução social, do trabalho remunerado precário e da proteção emocional das gerações futuras. E enquanto isso acontece, suas lutas continuam sem resposta.

A coragem que ninguém quantifica

Imagine acordar às 4 da manhã. Preparar filhos para a escola. Sair para um trabalho que paga menos pela mesma função. Voltar para organizar a casa. Tudo em um único dia. Repetido há anos. Dona Lindu fez isso. Assim como fazem 48 milhões de mulheres brasileiras que trabalham atualmente — muitas em empregos sem carteira, sem proteção, sem garantias.

Elas são faxineiras, cuidadoras, vendedoras ambulantes, donas de pequenos negócios. Mães solteiras que abrem mão de si mesmas para que seus filhos tenham chance de futuro. Mas o Brasil que elas constroem todos os dias não as reconhece com políticas públicas à altura. Nem com salários que façam sentido. O reconhecimento é apenas retórico, vindo uma vez por ano.

Por que o Brasil não investe em quem o sustenta?

A resposta está em quem historicamente lucra com essa invisibilidade. Mulheres que trabalham mais e ganham menos — ganham 20% menos que homens em postos similares — são mais baratas para o capital. Mais obedientes aos patrões porque precisam. Menos propensas a reclamar porque têm boca para alimentar. Esse é o sistema que foi construído e que persiste.

Há décadas, o Brasil poderia ter investido em creches públicas em massa, liberando tempo de trabalho para milhões de mães. Poderia ter garantido salário mínimo real. Poderia ter expandido licença-maternidade. Mas não o fez — e a classe que governa antes de agora sabe por quê. Pessoas empobrecidas, especialmente mulheres, são mais controláveis.

Então, o que realmente mudou para essas mulheres nos últimos anos?

Quando a coragem ganha nome e política

A diferença começa quando paramos de apenas homenagear e começamos a agir. Nós já vimos isso funcionar. No Brasil, políticas como o auxílio emergencial puseram dinheiro direto nas mãos de mulheres responsáveis por famílias. Resultado: redução da fome, crianças mais bem nutridas, mulheres com dignidade para respirar um pouco.

A expansão do Bolsa Família aumentou a renda de 20 milhões de brasileiros. A criação de vagas em escolas públicas de educação infantil permite que mulheres trabalhem, estudem, existam para além do cuidado. Nós sabemos o que funciona. O que falta é vontade política de fazer.

Nós podemos garantir creches em todas as cidades. Creches de qualidade, com educadores bem pagos. Nós podemos elevar o piso de salários para trabalhadoras domésticas e rurais. Nós podemos exigir equiparidade salarial por lei. Nós podemos fazer o que Dona Lindu merecia ter recebido.

A urgência que o Dia das Mães esconde

Mas flores murcham em três dias. Discursos também. O que não murcha é a necessidade. Uma mãe que não consegue pagar aluguel não precisa de poesia — precisa de políticas. Uma mulher trabalhando dois turnos não quer admiração — quer tempo com seus filhos.

O reconhecimento de Lula ao invocar Dona Lindu é um passo. Mas um passo sem ação é apenas saudade. E saudade não alimenta ninguém. O Brasil precisa transformar essa coragem invisível em direitos visíveis: licença-maternidade estendida, creches públicas em massa, salário mínimo que cubra dignidade, proteção trabalhista para todas.

Exija dos seus representantes que assumam esse compromisso. Não amanhã. Não nas próximas eleições. Agora. Porque enquanto você lê isso, uma mulher acordou antes do sol. E merecia muito mais que flores.

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

Mais recentes

Governo reúne órgãos federais para avaliar mecanismos de proteção indígena CREDHYY e CAICYY em seminário estratégico de defesa de direitos territoriais.
Lula sanciona lei que consolida acesso simplificado à CNH — 34 milhões de brasileiros ganham mobilidade e oportunidade de trabalho sem burocracia cara.
Movimento de Povos Indígenas reafirma compromisso com escuta comunitária em momento crítico: 305 terras aguardam demarcação enquanto comunidades enfrentam invasão organizada.
Seleção brasileira de vôlei feminino abre Liga das Nações nesta noite em Brasília. Competição global que prova investimento em mulheres atletas gera vitórias e transforma narrativas.
Ministério das Cidades abre evento gratuito para debater políticas urbanas com população. Espaço inédito de participação democrática chega para milhões excluídos das decisões sobre suas cidades.
Lula visita projeto de robótica em escola pública de Goiás e revela o abismo de oportunidades que separa jovens brasileiros. Educação técnica deixa de ser luxo e vira arma estratégica contra desigualdade.

PUBLICIDADE

Rolar para cima