Marisa e o legado invisível das pioneiras do futebol feminino

PUBLICIDADE

Marisa foi a primeira capitã da Seleção Brasileira feminina. Um fato que deveria estar em todos os livros de história do esporte nacional e, no entanto, permanece esquecido nos arquivos de quem tem preguiça de contar histórias de mulheres.

Enquanto o futebol masculino brasileiro acumulava títulos e faturava bilhões, as mulheres que construíram as bases dessa modalidade aqui foram invisibilizadas — literalmente proibidas de jogar entre 1941 e 1979. Marisa liderou um time que desafiava não apenas adversários em campo, mas um Estado que considerava o futebol feminino “inapropriado”.

Quando o país enfim permitiu às mulheres chutar uma bola

Imagine ser a primeira a algo que não deveria existir. Essa era a realidade de Marisa e suas companheiras. Enquanto a Confederação Brasileira de Desportos permitia que meninas fossem proibidas de jogar futebol, outros países já disputavam campeonatos internacionais. Brasil ficou para trás — não por falta de talento, mas por falta de coragem política de reconhecer que talento não tem gênero.

As Pioneiras do Futebol não tiveram estádios lotados. Não tiveram patrocinadores corporativos. Não tiveram transmissão na televisão. Tiveram, simplesmente, determinação e uma bola. Milhões de meninas no Brasil cresceram sem saber que podiam sonhar em ser como Marisa porque ninguém contava essa história.

O que a invisibilidade de Marisa revela sobre nossos valores

Há uma razão pela qual Marisa permaneceu invisível por décadas. A história do futebol feminino brasileiro não é apenas uma história de esporte — é um espelho do nosso fracasso coletivo em reconhecer talento quando ele vem em corpo de mulher. Enquanto Pelé e Ronaldo viraram marcas comerciais, as capitãs que abriram portas definharam no esquecimento.

A Confederação Brasileira de Futebol levou 35 anos proibindo o futebol feminino. Levou mais 40 para investir de verdade. E ainda hoje? A seleção feminina recebe uma fração do investimento destinado ao time masculino, apesar dos resultados comparáveis.

Nós permitimos que isso acontecesse. E continuamos permitindo.

O resgate que deveria ter começado há décadas

Mas há uma reversão possível. Contar a história de Marisa não é nostalgia — é resistência. É dizer a cada menina que o futebol dela importa. Que a coragem dela vale a pena. Que existem pioneiras cujos nomes merecem estar ao lado de Pelé em qualquer discussão sobre futebol brasileiro.

Alguns clubes já começam a recuperar esses nomes. Investem em categorias de base femininas. Transmitem jogos. Pagam salários competitivos. Onde isso acontece, o resultado é inevitável: mais meninas jogam, mais mulheres se profissionalizam, mais títulos chegam.

Nós já sabemos o que funciona. A questão agora é: vamos fazer?

O chamado é para hoje

Compartilhe a história de Marisa. Procure As Pioneiras do Futebol. Leve uma menina para o estádio ver a seleção feminina jogar. Cobre dos clubes investimento real — não comunicado de igualdade, mas dinheiro de verdade, estrutura de verdade, respeito de verdade.

O futebol feminino brasileiro não precisa mais de permissão. Precisa de reconhecimento. Marisa já pagou o preço por abrir o caminho. Agora é nossa vez de garantir que nenhuma outra pioneira morra invisível.

Fonte: @EsporteGovBR no X (Twitter)

🎙 Ouça o podcast desta matéria — Agenda Positiva

Mais recentes

Márcio Chaer, fundador da Conjur, morreu deixando vazio concreto: quem fez a justiça deixar de ser privilégio. Seu legado de transparência importa demais.
Lula convoca para o 13 em tom que transcende campanha: um apelo à participação popular como ferramenta de continuidade democrática e política social.
Governo publica orientações para emergências enquanto 30 milhões de brasileiros vivem em áreas de risco sem conhecer os protocolos. O acesso à informação continua sendo o elo fraco da resposta a desastres.
Governo federal lança estratégia concreta contra desemprego: qualificação profissional com renda garantida, microcrédito justo e incentivos para contratação. Medidas que já funcionam no mundo.
Ministério do Desenvolvimento Social revela como o SUAS pode transformar resposta a emergências alimentares. Live acontece em 2 de outubro com gestores e profissionais de assistência social.
Lula convoca brasileiros para pronunciamento ao vivo às 20h45. Entenda o peso político da comunicação presidencial direta e como cidadãos podem influenciar essa narrativa.

PUBLICIDADE

Rolar para cima