O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerra nesta terça-feira sua passagem pela Europa com reuniões em Portugal, após escalas significativas na Espanha e Alemanha. Os encontros com o primeiro-ministro Luis Montenegro e o presidente António José Seguro, empossado há apenas uma semana, revelam a prioridade do Brasil em fortalecer laços diplomáticos com a Europa Ocidental em momento de reconfiguração geopolítica global.
A estratégia não é casual. Enquanto potências disputam influência no continente europeu, o Brasil aprofunda presença diplomática em um dos poucos governos portugueses com perfil progressista em função pública. Para milhões de brasileiros que dependem de acordos comerciais, políticas de imigração e cooperação tecnológica com a Europa, essa rodada de negociações define oportunidades reais de mobilidade social e acesso a mercados.
Quando a diplomacia resolve crises invisíveis no dia a dia
Um trabalhador brasileiro em Lisboa, uma mãe que envia remessas para o Nordeste, um pequeno exportador de tecnologia em São Paulo: todos têm interesse direto no que será acordado nessas salas. Não são histórias abstratas. São 2,4 milhões de brasileiros vivendo no exterior, muitos deles na Europa, dependendo de marcos regulatórios que só se consolidam em conversas como estas.
O momento não é aleatório. Portugal, sob nova liderança, ainda procura seu caminho nas prioridades internacionais. O Brasil chega oferecendo parceria em um contexto onde a Europa enfrenta pressões migratórias, desafios energéticos e incerteza econômica. Mas qual será exatamente o escopo dessas negociações?
Por que esses encontros importam agora
Historicamente, a diplomacia brasileira oscilou entre priorizar América Latina ou aproximações transatlânticas. A escolha de intensificar presença europeia em 2024 sinaliza cálculo claro: os ganhos comerciais e políticos com a Europa superam investimentos exclusivos no continente americano. Portugal, em particular, oferece ponte única para mercados lusófonos em África, estratégia que o Brasil não pode ignorar.
Os números falam. O comércio bilateral Brasil-Portugal ultrapassa 3 bilhões de dólares anuais. Mas há espaço exponencial: cooperação em energias renováveis, inovação tecnológica, reformas trabalhistas alinhadas. Quem se beneficia dessa expansão? Empresas, trabalhadores qualificados, instituições acadêmicas. Quem fica para trás?
A escolha que o Brasil está fazendo
Lula não chega a Portugal como peticionário. Chega como interlocutor de uma potência emergente com capacidades reais. Oferece: estabilidade democrática, mercado consumidor de 215 milhões de pessoas, liderança em transição energética. Pede: reconhecimento de seu papel geopolítico, acesso a tecnologia europeia, abertura de mercados.
Isso muda tudo. Nós — brasileiros, portugueses, cidadãos que vivem dessas negociações — conquistamos a oportunidade de reposicionar nossas economias em uma ordem mundial que se reorganiza. A Europa precisa de parceiros confiáveis fora do eixo tradicional. O Brasil oferece exatamente isso.
O que vem depois
As próximas horas definirão protocolos, acordos comerciais, compromissos que ecoarão em mercados de trabalho, bolsas de estudo e oportunidades de negócios. Isso não é invisível. É estrutura. É futuro concreto.
Acompanhe os desdobramentos. As decisões tomadas em Lisboa reverberam em São Paulo, em Belém, em cada comunidade que depende de pontes internacionais. A diplomacia silenciosa é a mais poderosa.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)
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