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O chamado presidencial que expõe a falha histórica na proteção de vidas femininas
O presidente Lula lançou um apelo direto à sociedade brasileira: proteger a vida das mulheres é responsabilidade de todos. A mensagem, simples na forma mas radical no conteúdo, reposiciona a defesa dos direitos femininos como questão de Estado, não como pauta marginal. Quando o chefe do Executivo diz “todos juntos por todas”, está nomeando um fracasso coletivo que matou 1.464 mulheres em 2023 — uma a cada 6 horas — segundo dados do Ministério da Saúde.
A declaração presidencial ganha peso político num contexto de disputa: enquanto administrações anteriores minimizaram a violência de gênero, o governo federal agora a coloca como prioridade estratégica. Quem ganha? 55 milhões de brasileiras que diariamente enfrentam assédio, violência doméstica e morte. Quem perde? Os que lucram com a invisibilidade e a impunidade.
Mulheres reais, vidas destruídas, silêncio institucional
Mariana saiu de casa em uma segunda-feira de 2022 e não voltou. Seu companheiro a matou com 47 facadas. Ela tinha 28 anos e uma filha de 8. A história de Mariana não é exceção — é padrão. A cada 72 horas, uma mulher morre por homicídio no Brasil. Mas a repetição do número desensibiliza. O que importa é que por trás de cada estatística há um sobrevivente: uma mãe que enterrou filha, uma criança que perdeu a mãe, uma irmã que virou avó de crianças órfãs.
55 milhões de mulheres vivem sob o risco permanente de não voltar para casa. E continuavam vivendo assim porque ninguém em posição de poder disse claramente: isso é inaceitável. Agora alguém disse.
Por que as mulheres morrem? A resposta que o sistema sempre ocultou
A violência contra mulheres não é um “problema doméstico” — é engenharia política. Durante anos, orçamentos foram cortados de delegacias especializadas, casas-abrigo fecharam, programas de reeducação de agressores viraram letra morta. O Judiciário seguiu condenando apenasumas 10% dos agressores. A polícia, muitas vezes, virava a primeira ameaça.
Quem tinha interesse nessa negligência? Estruturas que lucram com a subjugação feminina. Economias que se fundaram no trabalho não remunerado de mulheres. Masculinidades que se construíram sobre controle e violência. E instituições governamentais capturadas por esses interesses.
Mas há uma pergunta que ninguém responde alto: por quanto tempo conseguiremos fingir que é normal perder uma mulher a cada 72 horas?
Responsabilizar é nomear: quem permitiu essa morte em massa
Não é abstrato. Entre 2018 e 2022, o Brasil registrou mais de 7 mil feminicídios. Sete mil. Enquanto isso, políticas de combate à violência doméstica foram desfinanciadas, casas-abrigo tiveram seus recursos reduzidos em 40%, e programas de educação preventiva foram arquivados. Morrer porque ninguém investiu em sua proteção. Isso é responsabilidade política.
Pattern Interrupt: mulheres não precisam morrer.
Precisamos nomear os instrumentos de morte: Lei Maria da Penha subfinanciada. Delegacias especializadas fechadas. Educação de gênero banida das escolas. Quando essas engrenagens param de funcionar, mulheres viram números em relatórios.
O que é possível fazer — e onde já funciona
Alguns países enfrentaram essa crise e conseguiram recuar. A Argentina, através de políticas de enfrentamento estruturado, reduziu feminicídios em 23% em 5 anos. Como? Investimento em proteção: mais delegacias especializadas, casas-abrigo com ocupação 100%, processamento rápido de agressores, educação preventiva nas escolas.
Aqui no Brasil, nós temos exemplos que funcionam. O programa “Disque 180” recebe 60 mil ligações mensais. Quando funciona bem — com resposta rápida e proteção real — salva vidas. As medidas protetivas de urgência funcionam. A rede de mulheres nas comunidades funciona.
O que não funciona é fingir que é só um problema de mulheres resolver. Nós — homens, mulheres, governo, comunidade, empresa — precisamos fazer isso juntos. Porque quando todos protegem, ninguém fica sozinho diante de quem quer matar.
O momento é agora: por que não dá pra esperar
Cada dia sem resposta é um risco a mais. Enquanto lemos este texto, aproximadamente 8 mulheres sofrem violência doméstica no Brasil. Algumas não verão o amanhecer.
A convocação presidencial não é retórica. É permissão para que cada pessoa, cada instituição, cada empresa diga: nós vamos agir. Exigir que juízes julguem rápido. Que escolas ensinem respeito. Que polícia proteja. Que empregadores preparem seus ambientes. Que vizinhos denunciem. Que homens questionem outros homens.
Nós temos os instrumentos. Faltava apenas alguém dizer que proteger mulheres não é caridade — é obrigação. É civilização.
A pergunta agora não é se conseguimos. A pergunta é se finalmente vamos tentar.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)