Lica abriu portas que o Brasil ainda está descobrindo para o futebol feminino

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Em 1988, enquanto o mundo discutia se mulheres deveriam jogar futebol, Lica já estava dentro do campo defendendo a Seleção Brasileira. Como goleira na primeira edição do Torneio Internacional Feminino da FIFA, ela não apenas jogava — ela legitimava. Cada defesa era um argumento contra o preconceito que cercava o futebol feminino no Brasil.

Mas há um detalhe que a maioria não conhece: enquanto Lica fazia história em 1988, o futebol feminino brasileiro teve que esperar mais de três décadas para conquistar o investimento público adequado. A pioneira abriu caminhos que, para muitas gerações de meninas, permaneceram invisíveis.

Quando uma goleira se torna símbolo de resistência

Lica não escolheu ser pioneira. Ela apenas queria jogar futebol. Mas em uma época em que dirigentes desconfiavam da capacidade técnica de mulheres atletas, sua simples presença em um torneio internacional era um ato de ruptura. Milhões de meninas brasileiras cresceram sem saber que alguém como elas já tinha lutado por isso décadas antes.

A história de Lica é a história de inúmeras atletas que construíram o futebol feminino brasileiro nas sombras — sem patrocínio, sem cobertura de mídia, frequentemente sem reconhecimento. Elas jogavam porque precisavam jogar. E essa necessidade, essa coragem, abriu portas que ainda estão sendo destrancadas.

Por que levou tanto tempo para o Brasil enxergar suas pioneiras?

A resposta está em estruturas de poder que historicamente invisibilizaram o esporte feminino. Enquanto seleções de futebol masculino recebiam financiamento estatal desde os anos 1920, o feminino permaneceu à margem por décadas. Não era incompetência. Era escolha política.

Entre 1988 e 2019, quando o Brasil finalmente criou uma política estruturada para o futebol feminino, gerações de meninas cresceram sem modelos. Quantas Licas nunca tiveram a oportunidade de ser descobertas? Quantas talentos se perderam porque o investimento chegou tarde demais?

A CBF reconheceu Lica e suas companheiras recentemente. Mas o reconhecimento tardio não apaga os anos de negligência. É preciso nomear isso pelo que foi: abandono sistemático de potencial esportivo brasileiro.

O que mudou — e o que ainda precisa mudar

Hoje, a Seleção Feminina disputa Copa do Mundo com suporte técnico, psicológico e financeiro. Meninas em todo o Brasil veem suas histórias na televisão. Isso é progresso real. Mas nós ainda estamos recuperando o tempo perdido.

Reconhecer Lica é mais que celebrar uma atleta. É compromisso com a próxima geração. É garantir que não haverá mais silêncios, mais invisibilidades, mais talentos desperdiçados. Significa investimento contínuo em categorias de base, em estrutura para seleções femininas, em igualdade de cobertura midiática.

Isso é possível. Nós já começamos.

Conhecer nossas pioneiras é reconhecer o que ainda podemos ser

A história de Lica não termina em 1988. Ela continua toda vez que uma menina entra em campo sabendo que existe um caminho. Continua quando investimento público sustenta programas de futebol feminino. Continua quando mídia e governos tratam atletas mulheres com a importância que merecem.

Compartilhe a história de Lica. Conheça mais pioneiras. Exija que esse reconhecimento se traduza em ação política — investimento, estrutura, igualdade. Porque futebol feminino brasileiro não precisa apenas de celebrações. Precisa de futuro garantido.

Fonte: @EsporteGovBR no X (Twitter)

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