Cultura gratuita para 215 milhões: o plano que ameaça o monopólio do streaming

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Governo lança plataformas de acesso democrático enquanto gigantes do audiovisual dominam telas brasileiras

O Palácio do Planalto disparou três iniciativas públicas de entretenimento e educação — Tela Brasil, plataformas de leitura e cursos de idiomas — em um movimento que reposiciona o Estado como provedor de cultura para os 215 milhões de brasileiros excluídos dos serviços por assinatura. Anunciado neste fim de semana, o pacote representa a primeira investida sistemática do Governo Federal contra a fragmentação digital que obriga famílias pobres a escolher entre filme, série ou educação continuada.

Enquanto 72% dos lares brasileiros ainda não têm acesso a qualquer serviço de streaming — segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações — gigantes globais como Netflix, Amazon Prime e Disney+ capturam a maior parte do orçamento cultural das classes médias urbanas. O Governo Federal inverte o jogo: ao ofertar centenas de filmes nacionais, acervos literários e aprendizado de idiomas sem custo, reconstrói a cultura como direito, não privilégio. Mas por quanto tempo essa porta permanecerá aberta?

Quando a mãe trabalha até domingo, a biblioteca viaja para casa

Maria dos Santos, auxiliar de limpeza em São Gonçalo, nunca havia assistido a um filme brasileiro em casa com seus três filhos. Os filmes chegam sempre depois — ou não chegam. Quando consegue os R$ 50 mensais para um serviço de streaming, é para as crianças estudarem inglês em plataformas pagas, roubando minutos do sono de quem acorda às 5 da manhã. Ela é uma entre 148 milhões de brasileiros que vivem essa equação: trabalho + educação limitada + cultura postergada.

Agora, o Tela Brasil coloca na palma da mão de Maria — e de milhões como ela — o cinema nacional que Hollywood nunca priorizou. Documentários sobre reforma agrária. Filmes de diretores negros e indígenas. Histórias que o mercado audiovisual privado considera “não rentáveis”. Essa não é caridade. É reparação.

Por que o Estado abandonou a cultura por 30 anos

Desde 1990, sucessivos governos desmantelaram a infraestrutura pública de acesso à cultura. A TV Educativa encolheu. As bibliotecas municipais viraram depósitos de livros deteriorados. A indústria audiovisual brasileira, que já representou 4% do PIB, caiu para menos de 1%. Enquanto isso, plataformas estrangeiras capturaram 89% do tempo de visualização no Brasil — dados que revelam o tamanho da cicatriz.

O silêncio não é acaso. Há décadas, grupos de mídia tradicional — que lucram com publicidade em TV aberta — e gigantes de tech — que monopolizam streaming — têm interesse direto em manter a cultura fragmentada e cara. Quando o Estado oferece acesso igualitário, quebra esse modelo.

Mas aqui surge a pergunta que ninguém quer responder: quanto tempo levará para esses atores pressionarem contra o Tela Brasil?

Quem construiu essa armadilha — e quem pode desmontá-la

O Governo Federal não inventou essas plataformas do zero. O Tela Brasil herda acervo da Cinemateca Brasileira, instituição quase destruída por cortes orçamentários entre 2016 e 2022. Os cursos de idioma integram repositórios que universidades federais já mantêm — infraestrutura que custou bilhões em investimento público e estava subutilizada.

A inovação está na decisão política: integrar, democratizar, ampliar. Coisa rara. Coisa que funciona quando ninguém tira o dinheiro do meio do caminho.

Nós já fizemos isso. Podemos fazer mais.

A TV Pública funcionou. O Prouni funcionou. As universidades federais funcionaram. Hoje, a Educação a Distância do Governo Federal atende 2 milhões de brasileiros simultaneamente sem cair. Essas iniciativas de cultura gratuita exploram a mesma lógica: oferta estável, sem intermediários privados extraindo lucro do acesso.

O que está em jogo não é cinema ou livros. É o direito de milhões de brasileiros descobrirem quem são através de narrativas que o mercado nunca consideraria rentáveis. Um menino na favela que vê um filme sobre quilombo. Uma mulher nordestina que lê sobre suas próprias ancestrais. Um jovem que aprende mandarim para mudar de profissão — sem pedir permissão a Silicon Valley.

O tempo para agir é agora

As plataformas estão vivas. Estão gratuitas. Estão esperando você.

O próximo passo não é individual — é coletivo. Compartilhe. Convide seus vizinhos. Pressione sua prefeitura para instalar o Tela Brasil em telecentros e bibliotecas municipais. Exija que seu estado amplie o acesso em zonas rurais onde o sinal de internet sequer é confiável.

Cultura democrática não é tendência. É luta. E ela está começando.

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

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