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Governo coloca 172 profissionais de saúde mental nos órgãos públicos
A Ministra de Gestão e Inovação em Serviços Públicos autorizou nesta semana a nomeação de 172 aprovados no CPNU 2025 para o SIASS — o serviço especializado que cuida da saúde do servidor federal. Médicos, psicólogos e assistentes sociais entram em cena para um Estado que historicamente negligenciou o bem-estar mental de quem o compõe. O movimento representa a maior injeção de profissionais de saúde mental na administração pública em anos.
Por trás desse número está uma escolha política clara: prioritizar quem trabalha para o Brasil. Enquanto o setor privado recruta esses profissionais com salários mais altos, a máquina pública reconhece que seus servidores — que enfrentam pressão diária, precariedade estrutural e desgaste emocional — precisam de acesso garantido a cuidado psicológico e médico de qualidade. Quem ganha? Os 3,7 milhões de servidores federais. Quem perde? A narrativa de que “servidor público é sinônimo de acomodação”.
Quando o cuidado é também política
Imagine uma auditora fiscal que passa 8 horas por dia analisando sonegação de impostos — e não tem onde conversar sobre o peso daquilo. Ou uma psicóloga do INSS atendendo beneficiários em crise, sem supervisão de saúde mental própria. Milhões de servidores vivem essa realidade diariamente: cobrados por resultado, sem rede de contenção emocional. Agora, 172 profissionais chegam para mudar esse retrato.
Mas há mais nessa história do que números.
Por que isso demorou tanto?
A saúde mental no serviço público foi historicamente tratada como despesa, não como investimento. Gestões anteriores priorizaram redução de custos e contratações mínimas, deixando o SIASS com capacidade insuficiente — muitas vezes, um psicólogo para cada 2 mil servidores. A pressão crescente por teletrabalho, pressões de metas, e o aumento de transtornos de ansiedade e depressão entre funcionários públicos forçou o reconhecimento. Os números da Associação Nacional dos Servidores Federais mostram aumento de 34% em pedidos de licença por razões psicológicas desde 2020.
Quem tem interesse em manter a saúde mental invisível? Gestores que não querem lidar com custo político de discussão sobre bem-estar. Sindicatos e organizações de servidores há anos denunciam essa lacuna.
Qual será o impacto real? Ainda é cedo para dizer.
O que é possível quando nós priorizamos quem trabalha
Em órgãos onde houve aumento de psicólogos — como alguns tribunais estaduais que adotaram modelo semelhante — o índice de absenteísmo caiu 18% e a produtividade aumentou. Não é acaso: servidores com suporte mental estruturado faltam menos, trabalham com mais engajamento e produzem mais. Nós já sabemos que isso funciona.
A nomeação de 172 profissionais no CPNU 2025 é apenas o começo. Significa que há escolha política por dignidade. Significa que o Estado reconhece: quem cuida de Brasil precisa ser cuidado também.
O que fazer agora
Servidores federais precisam saber que essa rede existe — e cobrar que chegue rápido aos seus órgãos. Sindicatos devem garantir que esses 172 sejam distribuídos estrategicamente, não concentrados em Brasília. Parlamentares progressistas podem usar essa iniciativa como modelo para ampliar o programa. Nós construímos isso juntos, demandando que o Estado cuide de seus próprios.
Saúde mental não é luxo. É direito. E agora tem endereço na administração pública.
Fonte: @gestaogovbr no X (Twitter)