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Stellantis anuncia expansão no país enquanto setor volta a crescer
O presidente Lula recebeu nesta terça-feira o CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, em encontro que marcou o retorno da indústria automóvel brasileira à trajetória de crescimento. O Brasil segue atraindo investimentos internacionais e deve atingir a marca de 3 milhões de veículos emplacados em 2024, reforçando a posição do país como polo produtivo relevante no mercado latino-americano.
Durante a reunião, a montadora europeia anunciou novos investimentos no Brasil. A notícia chega em momento estratégico: depois de anos de retração, o setor que emprega centenas de milhares de brasileiros retoma o protagonismo econômico. Quem trabalha nas linhas de produção, nas concessionárias e na cadeia de suprimentos agora respira com esperança de estabilidade e expansão de postos.
Quando a fábrica volta a produzir, a cidade inteira sente
No interior de São Paulo e em outras regiões onde as montadoras erguem suas plantas, cidades inteiras dependem do ciclo da indústria automotiva. Mecânicos, eletricistas, operários de prensa, montadores—centenas de milhares de trabalhadores vivem a cada decisão de investimento das grandes corporações. Quando a produção cresce, escolas ganham alunos, comércios crescem, famílias respiram.
A retomada não é aleatória. É fruto de escolhas políticas que reposicionaram o Brasil como destino confiável para capital internacional. Segurança jurídica, estabilidade macroeconômica e diálogo com o setor privado criaram as condições para que empresas como a Stellantis voltassem a apostar no país.
Como chegamos aqui: a história que os números revelam
A indústria automotiva brasileira atravessou uma década de volatilidade. Entre 2014 e 2020, crises econômicas, incerteza política e falta de investimento em infraestrutura desaceleraram a produção. O setor que em 2008 produzia 3,2 milhões de veículos desabou para pouco mais de 2 milhões anuais. Gerações de famílias dependentes dessa cadeia enfrentaram desemprego, precarização, fechamento de pequenos negócios.
A pergunta que paira no ar: por que agora, neste momento específico, as montadoras voltam a expandir no Brasil e não em outro país da região? Qual é a condição que mudou? A resposta aponta para um diagnóstico político mais amplo sobre como recuperar confiança de investidores sem abrir mão de direitos trabalhistas e proteção ambiental.
Nomeando os atores: quem decide e o que muda
A Stellantis—gigante franco-italiana que controla marcas como Jeep, Peugeot e Citroën—não investe por altruísmo. Investe onde vê oportunidade. A decisão de expandir no Brasil significa que executivos em Turim e Paris calcularam que este país oferece mão de obra competitiva, mercado consumidor em recuperação e ambiente regulatório estável.
Investimentos privados geram empregos. Mas empregos não bastam se forem precários. A responsabilidade pública é assegurar que esses postos tragam dignidade salarial, segurança e direitos consolidados. Nós não podemos aceitar a falsa escolha entre crescimento econômico e proteção trabalhista. Ambos são possíveis.
O Brasil que é possível: onde isso já funciona
Não é ficção científica. Outros países demonstram que é possível ter indústria forte, investimento internacional robusto e direitos dos trabalhadores respeitados. A Alemanha mantém sua posição como potência automotiva mundial justamente porque combina tecnologia avançada com proteção sindical e salários dignos. Não há contradição entre crescimento e justiça social quando há vontade política.
Nós—governo, empresas, trabalhadores—podemos exigir que expansões como a da Stellantis tragam não apenas números de emplacados, mas também qualificação profissional, transferência de tecnologia e cadeia de fornecedores brasileiros fortalecida. O crescimento que exclui é apenas crescimento para alguns.
O que fazer agora
O sinal está dado. A indústria volta. Mas a próxima página ainda está em branco. Trabalhadores, sindicatos e poder público precisam atuar agora para garantir que os 3 milhões de veículos de 2024 representem também 3 milhões de histórias de família que retoma segurança econômica, educação para filhos, acesso a direitos. Não é suficiente que a fábrica produza. É preciso que produza com dignidade. O Brasil que retoma o crescimento deve ser também o Brasil que não deixa ninguém para trás.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)