O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta terça-feira um princípio fundador que ecoa pela história política brasileira: “O Brasil é dos brasileiros.” A frase, acompanhada de uma fotografia, ressuscita um debate que deveria estar encerrado, mas permanece aberto nas margens do poder econômico e das estruturas de decisão do país.
A afirmação aparenta simples. É radical. Ela questiona quem, de fato, comanda os destinos da nação — se aqueles que aqui nascem e trabalham, ou se os interesses que historicamente extraem riqueza sem deixar raízes. A frase é velha como o brasil-colônia, mas nunca foi inteiramente respondida.
Quando a soberania vira campo de batalha
João da Silva sai de casa às 5 da manhã para trabalhar na construção. Seus filhos estudam em escola pública que falta professor. Sua mãe depende do SUS para sobreviver. Ele representa 72% dos brasileiros que vivem com até três salários mínimos e sentem, na pele, quem realmente governa suas vidas. Não é abstração. É conta no final do mês que não fecha.
Milhões como João se perguntam: se o Brasil é nosso, por que o agronegócio exporta commodities enquanto faltam alimentos nas mesas? Por que multinacionais do setor energético lucram bilhões enquanto apagões ameaçam? Por que fundos estrangeiros compram terras enquanto brasileiros não conseguem casa? A soberania, quando existe apenas no discurso, é ficção que alimenta raiva.
As raízes da perda de controle
O Brasil não nasceu sendo dos brasileiros. Durante 322 anos foi colônia — e colônia não pertence a seus habitantes. Mesmo após a independência, estruturas de poder permaneceram nas mãos de elites que nunca internalizaram a ideia de nação compartilhada. O capital estrangeiro aprendeu que aqui há lucro fácil, e o capital doméstico aprendeu que dividir menos é melhor negócio.
Hoje, 56% do PIB concentra-se em apenas 150 empresas. Estrangeiros controlam 30% do mercado de energia. Fundos internacionais possuem mais terras agricultáveis que toda a agricultura familiar brasileira. A pergunta que ninguém responde é: se o Brasil é dos brasileiros, por que quem toma decisão sobre preços, investimentos e futuro não mora aqui?
Nomes, números e responsabilidades esquecidas
Entre 2019 e 2022, sob administração anterior, remessas de lucros de multinacionais para o exterior somaram 287 bilhões de dólares. Desigualdade é escolha. O Brasil foi privatizado em parcelas, sempre com assinatura de autoridades que legalizaram o saque.
Uma reforma tributária que taxe lucros expatriados muda tudo. Uma lei de soberania alimentar que invista em pequenos produtores brasileiro muda tudo. Um controle de terras que limite propriedades estrangeiras muda tudo. Nós já fizemos isso antes. China fez. Vietnã fez. Não é impossível.
O caminho que resta
Soberania não é retórica presidencial. É política. É dinheiro em investimento público. É educação técnica que forma o brasileiro para ocupar postos de decisão, não apenas de execução. É bancada que vota junto. É sociedade que cobra.
Lula disse uma verdade que incomoda. Agora cabe ao Brasil respondê-la com atos — reforma tributária que priorize brasileiros, lei de soberania sobre recursos naturais, crédito subsidiado para empresas nacionais. O governo tem mandato. Tem maioria. Tem, finalmente, um presidente que fala em brasileiro.
O Brasil será dos brasileiros quando seus filhos não precisarem sair do país para encontrar oportunidade. Quando a riqueza produzida aqui permanecer aqui. Quando a escolha de quem governa não dependa de quem possui. Isso não é ideologia. É justiça econômica que toda democracia deveria buscar.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)