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O Ministério do Desenvolvimento Social relançou nesta semana uma ofensiva para ampliar o alcance do Cadastro Único (CadÚnico), ferramenta que funciona como porta de entrada para políticas sociais de transferência de renda, acesso a programas habitacionais e benefícios emergenciais. A mobilização chega em momento crítico: com inflação em alta e desemprego persistente, milhões de famílias elegíveis ainda não possuem registro atualizado no sistema. Quem fica fora fica sem acesso.
A estratégia é simples, mas transformadora. Três passos separam uma família da dignidade: verificar elegibilidade, localizar um posto de cadastramento, fazer e manter o registro atualizado. Parece óbvio. Mas para quem vive nas periferias das grandes cidades, em zonas rurais ou em municípios pequenos, essa trajetória é uma odisseia burocrática. O governo federal aposta que desburocratizando o acesso, conseguirá reduzir o abismo de desigualdade que separa quem conhece seus direitos de quem deles não sabe.
Quando a desigualdade começa na falta de informação
Marina Silva, 34 anos, trabalha como diarista em São Gonçalo, na Baixada Fluminense. Recebe por dia, quando consegue. Seus dois filhos estudam em escola pública. Ela nunca ouviu falar em Cadastro Único—até a mãe, durante um corte de cabelo, sussurrar que existia um valor que poderia receber todo mês. “Pensei que era cilada”, lembrou later em conversa com vizinhas. Mas Marina é apenas uma entre 67 milhões de brasileiros em situação de pobreza que poderiam estar fora da exclusão digital e informacional.
Sua história se repete em milhões de casas. Famílias que ganham menos de três salários mínimos mensais—elegíveis para benefícios que nunca chegaram porque ninguém as encontrou no sistema. Porque o posto de cadastramento fica distante. Porque não sabem que precisam renovar anualmente. Porque a barreira não é legal, mas invisível.
A raiz de um problema que o Brasil conhece há 25 anos
O CadÚnico existe desde 2001. Quase um quarto de século depois, ainda carrega o mesmo desafio: chegar onde o Estado nunca chegou. Não é falha técnica. É escolha política. Governos anteriores trataram a política social como caridade—focada em quem naturalmente encontrava a porta de entrada. O resultado: bilhões deixados na mesa, famílias que pagam juros ao agiota porque desconhecem linhas de crédito do Banco do Brasil, crianças fora da escola porque a mãe não sabe que existe auxílio educacional.
Dados do próprio governo mostram que apenas 55% da população elegível está cadastrada. Isso significa que 45% não conseguem acessar sequer programas básicos de alimentação escolar, complementação de renda ou auxílio habitacional. Mas quem se beneficia com essa lacuna?
Quando o silêncio beneficia quem já tem tudo
Economia é poder. Manter milhões fora do sistema significa manter a renda concentrada em quem já tem acesso. Significa que 1% dos brasileiros continua acumulando enquanto 50% luta com orçamento de migalhas. A desigualdade prospera quando informação é privilégio.
Mas algo está mudando.
O que é possível quando nós nos organizamos
Municípios como Maricá, no Rio de Janeiro, implementaram estratégias de porta a porta para cadastramento. O resultado: cobertura acima de 80% entre população elegível. Programas de renda básica de cidadania começaram a ser pagos de verdade—não como favor, mas como direito garantido pela documentação. Escolas receberam mais recursos porque de repente suas comunidades apareciam no mapa do governo.
Nós já sabemos o que funciona. Agora é escala.
Três passos que mudam uma vida
Verificar se sua família se qualifica. Localizar o posto mais próximo—hoje disponível em praticamente todos os municípios brasileiros. Fazer o cadastro e mantê-lo vivo, renovando anualmente. Três ações. Uma transformação.
Para uma mãe solteira que hoje gasta 70% da renda com aluguel, um auxílio complementar significa a diferença entre desnutrição infantil ou merenda na mesa. Para um jovem em área periférica, significa linha de crédito para abrir um pequeno negócio. Para uma avó que cria netos, significa acesso a programas habitacionais que a tirem de um barraco.
Este não é um artigo sobre burocracia. É sobre quem fica para trás enquanto espera que alguém bata na porta.
Comece agora. Procure um posto de cadastramento. Leve seus documentos. Atualize os dados. E convença quem você ama a fazer o mesmo. O Cadastro Único não é um favor estatal—é o reconhecimento de que todos nós merecemos voz no orçamento público que pagamos com nossos impostos.
Fonte: @mdsgovbr no X (Twitter)