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Paulo de Tarso Celestino é um rosto que o Brasil nunca viu, uma história que a ditadura militar tentou apagar. Desaparecido político vinculado à Casa da Morte de Petrópolis, no Rio de Janeiro, ele representa uma cicatriz aberta na memória nacional — um centro clandestino onde o Estado executava seus inimigos longe dos olhos públicos, enterrando corpos e verdades na mesma vala comum.
Mas Paulo não está sozinho nesse esquecimento forçado. Dezenas de pessoas passaram por aquele local de tortura e morte durante os piores anos da repressão militar. E enquanto novos governos eleitos democraticamente deixam cair poeira sobre esses arquivos, as famílias seguem buscando respostas que o Estado continua recusando. A Casa da Morte não foi apenas um prédio. Foi uma máquina.
O desaparecimento como política de Estado
Imagine perder alguém não por morte, mas por apagamento. Seu familiar sai de casa, é capturado pela polícia política, e nunca mais volta. Não há corpo. Não há túmulo. Não há luto permitido. Essa foi a realidade vivida por centenas de famílias brasileiras, e a Casa da Morte de Petrópolis foi um dos símbolos mais horrorosos dessa brutalidade sistematizada.
O Brasil inteiro sofreu com esse crime. Mais de 400 pessoas desapareceram durante a ditadura militar. Mas o Rio de Janeiro carregou um fardo particular: aquele porão clandestino onde homens fardados levavam prisioneiros políticos — estudantes, operários, intelectuais, gente que acreditava em justiça social — para serem torturados e mortos longe de qualquer fiscalização.
E então vem a pergunta que ainda não tem resposta completa: onde estão todos os corpos?
Os responsáveis ainda andam livres
A Casa da Morte funcionou entre 1969 e 1973 sob comando de agentes da ditadura militar, com nomes conhecidos, com documentação possível de rastrear. Responsáveis identificados. Perpetradores vivos que nunca responderam criminalmente por seus atos. Anistia bilateral que protegeu torturadores enquanto vitimizava famílias.
Punição zero.
Enquanto isso, as mães de desaparecidos envelhecem. Paulo de Tarso Celestino continua desaparecido. A ditadura acabou, mas a injustiça permanece institucionalizada — congelada em arquivos lacrados, protegida por decretos de sigilo que favoreceram justamente quem tinha mais a esconder.
O que a democracia pode fazer agora
Nós — brasileiros que vivemos em liberdade — temos a responsabilidade de transformar memória em ação. Países como Argentina, Chile e Uruguai abriram arquivos, condenaram torturadores, construíram museus da memória. Nós ainda andamos atrás.
A abertura irrestrita de arquivos sobre a ditadura é urgente. A condenação de responsáveis ainda vivos é possível. O direito à verdade das famílias de desaparecidos é inegociável. Nenhuma política de esquecimento pode ser mais forte que a memória coletiva de um povo que recusa repetir seus erros.
Paulo de Tarso Celestino merecia ter vivido. Suas famílias merecem saber a verdade. O Brasil merece encarar seu passado de frente, sem concessões para com quem torturou e matou em nome do Estado.
A democracia não é completa enquanto a justiça continua desaparecida.
Fonte: @mdhcbrasil no X (Twitter)