Política coordenada pelo MMA já reconheceu 11 trilhas nacionais e integra Unidades de Conservação em corredores ecológicos com apoio de estados, municípios e sociedade civil
O Brasil tem reforçado sua presença no mapa internacional do turismo sustentável com investimentos estratégicos em trilhas ecológicas que integram conservação, geração de renda e promoção da biodiversidade. Coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas) já soma mais de 200 trilhas em implantação no país, com 41 mil quilômetros mapeados em todos os biomas e regiões.
No contexto global, o reconhecimento do Rio de Janeiro como melhor cidade do mundo para trilhas urbanas, anunciado em junho pela plataforma britânica SportsShoes, reforça os avanços da política pública. A capital fluminense alcançou a pontuação máxima no ranking entre 180 cidades, com 334 trilhas registradas. São Paulo também figura na lista, ocupando a 14ª colocação, com 141 trilhas, incluindo o primeiro trecho da Trilha Nacional Transmantiqueira.
Três pilares: conservação, lazer e economia local
A RedeTrilhas é estruturada sobre três eixos principais: conservação ambiental, recreação em contato com a natureza e fortalecimento da economia local. A política promove a conexão entre Unidades de Conservação (UCs) por meio de corredores vegetados que funcionam como passagens ecológicas para a fauna e espaços de lazer para a população.
Um dos exemplos mais emblemáticos é a Trilha Transcarioca, com mais de 180 km de extensão ligando o Pão de Açúcar ao Parque Estadual da Pedra Branca, no Rio de Janeiro. Iniciada em 2013 como movimento voluntário, a trilha foi oficializada em 2018 e hoje é considerada referência em governança colaborativa, reunindo sociedade civil, conselhos ambientais, instituições públicas e adotantes.
“Estamos construindo uma marca nacional sólida, as Trilhas do Brasil, e posicionando o país como referência global em uso sustentável do território, aliando conservação da biodiversidade, lazer e geração de renda”, afirmou Pedro da Cunha e Menezes, diretor do Departamento de Áreas Protegidas do MMA.
Avanços recentes e investimentos
Durante a atual gestão federal, 11 trilhas foram oficialmente reconhecidas pelo MMA, que já investiu R$ 10 milhões no fortalecimento da RedeTrilhas. Os investimentos incluem sinalização, manutenção, estudos técnicos e ações de formação, como o lançamento da apostila “Conectividade em foco: paisagens, planejamento de corredores ecológicos e trilhas de longo curso”, publicada em maio de 2025 com base no curso realizado em 2023 no âmbito do projeto Pró-Espécies: Todos contra a Extinção.
A política também está passando por uma revisão de governança, com a participação ativa de instituições públicas, setor privado e movimentos da sociedade civil. O objetivo é ampliar o alcance e consolidar a RedeTrilhas como uma política de Estado duradoura.
Sustentabilidade e geração de oportunidades
Segundo o Ministério do Turismo, as trilhas têm potencial para impulsionar o ecoturismo e movimentar cadeias produtivas locais em áreas com alto valor ambiental e baixa densidade populacional. Isso inclui geração de renda para guias, pousadas, restaurantes e produtores locais em torno das Unidades de Conservação.
Além de contribuir para o alcance das metas climáticas e da agenda de biodiversidade, as trilhas promovem saúde, lazer e educação ambiental para a população.