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Cinco milhões de brasileiros se inscreveram no Enem 2026. É o maior contingente desde 2022, um aumento de 47,1% que revela algo mais profundo que um número: revela esperança. Quem são essas pessoas? Filhos de pais sem ensino superior. Trabalhadores noturnos. Pessoas que viram, pela primeira vez, que a porta da universidade pública estava sendo aberta.
O aumento não é acaso. É política. O Ministério da Educação, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), removeu barreiras que mantinham milhões fora da disputa. Quem ganha? Jovens periféricos. Trabalhadores que estudam à noite. Quem perde? Ninguém — a educação não é jogo de soma zero.
A história de quem conseguiu se inscrever
Maria tem 32 anos, trabalha como auxiliar administrativo em São Gonçalo e nunca entrou em uma universidade. Seus pais foram analfabetos. Seus filhos precisam de um avô que soubesse que o Enem era uma oportunidade real, e não um luxo de elite. Quando ouviu que a inscrição estava mais acessível, inscreveu os filhos. E depois se inscreveu também.
Casos como o de Maria agora somam 5 milhões de histórias. Não é metáfora. É quase 50% de aumento em uma só edição. Isso significa que quase 2,5 milhões de brasileiros que antes não participavam agora acreditam que podem.
Mas quem quer aumentar acesso tem de responder a uma pergunta elementar: por que, até 2022, tantos brasileiros não se inscreviam?
O obstáculo invisível que o MEC começou a remover
Historicamente, o Enem era uma prova de elite disfarçada. Não pela dificuldade — pela inacessibilidade. Custos de inscrição. Falta de informação. Distância de locais de prova. Desconfiança. Gerações cresceram acreditando que universidade era para “outro tipo de gente”.
Ações diretas funcionam. As políticas adotadas pelo Inep não foram genéricas. Foram específicas: ampliação de isenções de taxas, divulgação em comunidades periféricas, maior quantidade de locais de prova, diálogos com organizações comunitárias. O resultado: 5 milhões.
Mas há uma pergunta que fica suspensa: desses 5 milhões, quantos conseguirão ingressar em uma universidade pública?
Quem fez isso acontecer — e o que muda agora
O crescimento não emerge do nada. A gestão do MEC priorizou acesso. Ponto. Não é retórica progressista vaga — é desenho de política pública visível nos números. Cinco milhões de inscritos representam uma mudança de curso civilizatório.
E agora? A próxima etapa é garantir que esses 5 milhões não apenas façam a prova, mas ingressem. Nós precisamos de mais vagas nas universidades federais. De políticas de permanência estudantil. De bolsas. De moradia. A inscrição é o começo. A permanência é a vitória.
Universidades federais e estaduais podem expandir vagas em cursos com demanda comprovada. Institutos federais podem criar trilhas de acesso. O Brasil já mostrou que sabe fazer isso — agora é questão de escala.
O que vem a seguir é responsabilidade coletiva
Cinco milhões de inscritos é um abraço do Brasil a si mesmo. Mas abraços não bastam. Eles precisam virar diploma. Virar emprego. Virar estabilidade e respeito social. Inscrever-se no Enem é dizer “eu mereço”. Nós, como sociedade, devemos responder: “sim, você merece, e vamos garantir isso”.
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Fonte: @min_educacao no X (Twitter)