Maior investimento da história no Programa INCT sinaliza retomada estratégica da ciência brasileira ou dependerá de continuidade política e econômica?
O Brasil alcançou, em 2025, a maior chamada pública da história para financiamento científico. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aprovou 143 novos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), com investimento total de R$ 1,63 bilhão. Trata-se de uma expansão de 20% sobre o número de institutos em atividade, impulsionada por recursos do FNDCT e por parcerias federativas.
🧬 Contexto: retomada da ciência como prioridade nacional
Após anos de contingenciamento e incerteza orçamentária, a política científica nacional volta a ganhar fôlego com a liberação dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
O programa dos INCTs, criado em 2008, é um dos pilares da ciência brasileira, com foco em grandes temas estratégicos e na formação de redes de excelência científica e inovação.
📊 Dados e estrutura: expansão recorde e novos parceiros
Institutos aprovados: 143 novos INCTs (recorde)
Investimento total: R$ 1,63 bilhão (maior da história)
Reforço extra: R$ 135,6 milhões (27,5% da demanda aprovada)
Total de INCTs no país: 243 (após contratação dos novos projetos)
Parceiros financeiros:
9 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs)
Ministério da Saúde
CAPES
FNDCT (principal financiador)
Novas FAPs participantes: Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Alagoas e Rio Grande do Sul
⚙️ Impactos econômicos, científicos e sociais: inovação, empregos e desenvolvimento regional
Formação de milhares de mestres, doutores e pesquisadores.
Estímulo à inovação com mais de 500 parcerias empresariais.
Fortalecimento de áreas estratégicas como energia, saúde, agricultura, clima e tecnologias digitais.
Redução da desigualdade regional na pesquisa, com interiorização de centros de excelência.
Internacionalização da ciência brasileira, com 1.302 parcerias internacionais já firmadas.
📈 Comparativos e tendências globais: como o Brasil se posiciona?
Países como China e EUA têm programas similares, mas com financiamento anual muito superior.
O Brasil, com o novo recorde, se reposiciona na América Latina como o maior investidor em redes científicas integradas.
A taxa de aprovação (27,5%) ainda é considerada conservadora diante da alta qualificação das propostas, segundo especialistas.
O financiamento multianual e a estabilidade do FNDCT tornam o Brasil menos vulnerável a cortes de curto prazo, como ocorria até 2022.
🔮 Projeções futuras: desafios e oportunidades até 2030
Os novos INCTs terão contratos de longo prazo, com vigência até 2030.
O CNPq busca, junto às FAPs, financiamento complementar para propostas altamente qualificadas que ficaram fora da lista principal.
Expectativa de maior sinergia entre ciência e mercado, com impacto em áreas como transição energética, inteligência artificial e combate a pandemias.
Risco: dependência de continuidade política e manutenção do FNDCT como fundo permanente.
🧠 Reflexão crítica: ciência soberana ou dependente de ciclos políticos?
Embora o recorde de investimento sinalize um novo ciclo virtuoso para a ciência brasileira, o maior desafio será garantir estabilidade a longo prazo:
Como transformar este ciclo de abundância em política de Estado, protegida de instabilidades políticas?
Como evitar que a ciência brasileira continue excessivamente dependente de editais pontuais e de projetos centralizados em poucos estados?
A experiência com o FNDCT descontingenciado oferece um caminho, mas a continuidade requer articulação entre governo federal, estados e setor privado.