Será que o ambiente escolar pode se tornar o novo pilar da vacinação infantil no Brasil?
- Introdução
O Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de doses de vacinas aplicadas em escolas públicas no primeiro semestre de 2025. A medida integra o Programa Saúde na Escola (PSE), uma estratégia dos Ministérios da Saúde e da Educação para reverter a queda na cobertura vacinal registrada desde 2016.
- Contexto
Desde 2016, o país enfrenta uma queda contínua nas taxas de imunização de crianças e adolescentes, agravada pela pandemia. O retorno do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em articulação com a rede educacional busca retomar a confiança da população, ampliando o acesso à vacina diretamente nos ambientes escolares.
A vacinação nas escolas foi intensificada a partir de março deste ano e, pela primeira vez, o governo federal passou a contabilizar especificamente as doses aplicadas em unidades educacionais, o que representa um marco inédito de monitoramento.
- Dados e estrutura da política pública
Entre janeiro e junho de 2025, mais de 1 milhão de doses foram aplicadas em 4,1 mil municípios – cerca de 74% do total de cidades brasileiras.
Houve crescimento expressivo mês a mês:
Março: 20,6 mil doses
Abril: 212,1 mil doses
Maio: 583,7 mil doses (pico do semestre)
As aplicações contemplaram 25 vacinas do calendário nacional, incluindo HPV, dengue, meningite, influenza e tríplice viral. A ação é apoiada pelo investimento de R$ 150 milhões do Ministério da Saúde, com foco na ampliação da cobertura, combate à desinformação e conscientização.
- Impactos sociais e sanitários
A estratégia escolar contribuiu diretamente para a reversão da tendência de queda nas coberturas vacinais:
15 das 16 vacinas obrigatórias registraram crescimento no 1º quadrimestre de 2025 frente ao mesmo período de 2024.
Destaques:
BCG: de 63,59% para 88,29%
Meningocócica C (1º reforço): de 72,50% para 88,35%
Tríplice viral (D1): de 86,59% para 91,86%
Além disso, a vacinação contribuiu para manter a eliminação do sarampo como problema de saúde pública, revalidada em 2024 com cobertura acima de 95%.
- Comparativos e evolução histórica
Desde 2016, a queda nas coberturas vacinais vinha sendo acompanhada com preocupação por especialistas e organismos internacionais. Em 2022, por exemplo:
A vacinação contra sarampo, caxumba e rubéola atingiu apenas 71% das crianças.
A imunização contra poliomielite ficou abaixo de 70% em alguns estados do Norte e Nordeste.
A mobilização escolar em 2025 representa o primeiro salto expressivo em quase uma década, com todas as regiões brasileiras aderindo à iniciativa.
- Projeções futuras
Com a adesão de 5.544 municípios ao ciclo 2023/2024 do PSE, o governo projeta manter e ampliar a cobertura até o fim do ano. A meta é:
Vacinar diretamente nas escolas ao menos 70% das crianças e adolescentes até 15 anos,
Manter a cobertura acima de 90% nas principais vacinas do calendário.
A manutenção dos repasses, a adesão das secretarias municipais de saúde e a intensificação da comunicação pública serão essenciais para sustentar os avanços.
- Conclusão e reflexão crítica
A experiência de vacinação nas escolas mostra que levar o SUS até onde as crianças estão pode ser mais efetivo do que esperar que elas cheguem até os postos. Em um cenário de desinformação, hesitação vacinal e vulnerabilidades sociais, o ambiente escolar se consolida como campo estratégico de cuidado.
A questão que se impõe agora é: como transformar uma ação emergencial em política permanente de Estado?