Por que territórios indígenas seguem invisíveis na agenda de direitos

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Enquanto povos originários enfrentam invasões fundiárias que aumentaram 137% na última década, a discussão sobre fortalecimento de territórios indígenas permanece marginalizada no debate público brasileiro. Não é acaso. É escolha política.

Garantir direitos territoriais indígenas significa redistribuir poder. Significa reconhecer que 1,7 milhão de indígenas no Brasil — 0,8% da população — controlam terras que abrigam 80% da Amazônia intacta. E isso incomoda interesses muito maiores.

A vida que pulsa nas florestas protegidas

Takuabe Yanomami caminha pela mata que sua família cuida há séculos. Caça, planta, ensina aos filhos cada árvore medicinal. Sua comunidade não negocia o território — o defende. E são milhões como Takuabe que vivem essa realidade diária: proteger o que é seu enquanto cercas ilegais avançam.

Quando fortalecemos territórios indígenas, não fazemos caridade. Preservamos conhecimento acumulado em milênios. Mantemos vivos ecossistemas que regulam o clima global. Protegemos as pessoas que os habitam de grileiros, garimpeiros e especuladores.

Por que os territórios ainda estão sob pressão

A resposta está na máquina estatal que funciona em câmera lenta para demarcar terras indígenas — enquanto acelera licenças para agronegócio e mineração nas mesmas áreas. Entre 2019 e 2023, apenas 11 mil hectares de terras indígenas foram demarcados, enquanto 2 milhões de hectares sofreram invasão documentada.

Há agentes públicos que lucram com essa demora. Há lobistas que trabalham para que nenhuma demarcação avance. Há uma máquina legislativa que privilegia interesses econômicos sobre direitos constitucionalmente garantidos desde 1988.

Mas por que os governos cedem a esses interesses?

O que muda quando enfrentamos isso

Países como a Bolívia e o Peru já demonstram: quando territórios indígenas ganham força legal e financeira, aumenta a conservação ambiental, reduz o desmatamento e cresce a segurança alimentar de comunidades inteiras. Não é teoria. É prática.

Nós podemos acelerar demarcações. Nós podemos financiar a gestão territorial indígena. Nós podemos dar às comunidades originária s poder real de decisão sobre suas terras — e colher benefícios climáticos globais em troca.

O que fazer agora

Fortalecer territórios indígenas não é questão de benevolência. É política de sobrevivência ambiental e justiça social que qualquer governo progressista deve priorizar. Demandas específicas já estão sobre a mesa: agilizar demarcações pendentes, investir em fiscalização territorial, reconhecer direitos de consulta prévia em decisões que afetam indígenas.

A pergunta que fica é simples: de que lado você está?

Fonte: @mpovosindigenas no X (Twitter)

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