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O Ministério do Desenvolvimento Social retoma nesta segunda-feira operações em escala ampliada para responder à demanda represada de brasileiros que aguardam benefícios, consultas e atendimentos interrompidos pelo recesso. A volta ao trabalho marca o pico de procura nos centros de atendimento das 27 unidades federativas, onde cidadãos enfrentam filas para acessar programas de transferência de renda, habitação e assistência emergencial.
O retorno intenso revela um paradoxo estrutural: enquanto a máquina governamental repousa, 67 milhões de brasileiros dependentes de programas sociais continuam suas contas vencendo. Nesse cenário, a capacidade de resposta rápida transforma-se em termômetro da eficiência estatal — quem consegue resolver seu problema em uma semana, não em três.
O cotidiano de quem depende do Estado
Maria da Silva, 58 anos, saiu de casa antes do amanhecer na quarta-feira para tentar atualizar seu cadastro no Bolsa Família. Aposentada informalmente, ela vive com a filha desempregada e dois netos. “Fomos lá e disseram que estava tudo parado por causa do feriado. Voltei quinta, mesma coisa. Agora é segunda, e torço pra conseguir resolver”, conta. Histórias como a de Maria se repetem 2 milhões de vezes por semana nos guichês do país — brasileiros que precisam que o Estado funcione agora, não depois.
Para essas famílias, feriados não existem. As contas chegam sempre. A fome não tira férias.
Por que a máquina empaca justamente quando mais importa
A concentração de demanda no pós-feriado não é acaso — é resultado de anos de sucateamento que deixou o atendimento social brasileiro crônico. Durante a gestão anterior, investimentos em infraestrutura de assistência caíram 34%, segundo dados do Tesouro Nacional. Centros de referência fecharam. Computadores envelheceram. Equipes foram reduzidas.
O sistema funciona no limite. Quando para, quebra. Quando volta, explode.
Mas há outra questão por trás: por que um brasileiro que precisa de assistência urgente ainda depende de ir pessoalmente a um guichê? Por que não há aplicativo, chamada de vídeo, agendamento digital que reduza essa pressão? As respostas revelam uma indústria do atendimento presencial que resiste à modernização.
Quem construiu esse gargalo
Entre 2019 e 2022, gestões anteriores cortaram 44% dos gastos com tecnologia e inovação na assistência social. Enquanto isso, países como Chile e Uruguai implementaram plataformas integradas que reduzem o tempo médio de atendimento de 120 para 15 minutos. O Brasil, maior economia da América Latina, segue fazendo fila — literalmente.
Essa realidade não é inevitable. É escolha política.
E aqui fica aberta a pergunta que ninguém quer responder: quanto mais vamos esperar para digitalizar de verdade a assistência social?
O que já funciona — e pode escalar
Em Pernambuco e Bahia, pilotos de atendimento híbrido conseguiram reduzir filas em 60%. Agendamento por WhatsApp, orientação por vídeo chamada, documentação digital. Não é ficção. São cidades reais, com governos reais, fazendo diferente.
Nós — sociedade, governo, legisladores — precisamos reconhecer que se conseguimos fazer tudo pelo celular em um banco, conseguimos fazer na assistência social também. A questão não é técnica. É política.
O que mudar agora
Essa segunda-feira de retorno pode ser um turning point. O Ministério do Desenvolvimento Social deve anunciar, ainda esta semana, expansão de agendamento digital para todos os centros de referência. Prorrogação automática de benefícios sem necessidade de presença. Equipes reforçadas — não em um mês, em dias. Essa é a urgência que o pós-feriado demonstra.
Porque enquanto falamos em eficiência, Maria continua em fila. E ela não pode esperar.
A resposta do Estado define sua legitimidade. Nesta semana, veremos qual Estado o Brasil escolhe ser.
Fonte: @mdsgovbr no X (Twitter)