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Em setembro de 2026, o Brasil criou 121,3 mil empregos com carteira assinada. Não é um número isolado — é parte de uma trajetória: 1,24 milhão de vagas formais geradas entre janeiro e setembro. Enquanto economistas debatem cenários de contração, trabalhadores brasileiros experimentam uma realidade diferente: oportunidade concreta de entrar no mercado formal.
Quem ganha com isso? Aquele jovem que sai de um trabalho informal e passa a ter direito a férias, décimo terceiro, contribuição previdenciária. Sua família ganha. Sua segurança econômica ganha. E nós todos ganhamos quando menos gente vive à margem do sistema de proteção social.
Quando uma pessoa muda de trabalho informal para formal
Maria começou como diarista em São Paulo há cinco anos. Sem contrato, sem direitos, vivendo de bico em bico. Em 2025, conseguiu uma vaga formal em um estabelecimento comercial. Carteira assinada. FGTS. Acesso a crédito bancário. Sua filha pode dormir sabendo que mãe tem estabilidade. Mas Maria não é exceção — ela é parte de um padrão. Milhões de brasileiros vivem essa transição. A diferença é quando o Estado cria as condições para que isso aconteça sistematicamente.
Por que isso importa agora, neste momento
Há cinco anos, o país saía de uma crise de desemprego. A formalização de postos de trabalho não era tendência garantida — era promessa política. Hoje, os números mostram que políticas de geração de emprego funcionam. Mas por que? Porque investimento em infraestrutura gera demanda. Porque crédito acessível permite que pequenas empresas ampliem operações. Porque inovação tecnológica, quando orientada para democratização, cria novos setores. Ainda assim, surge a questão que paira sobre o país: será que essa geração de empregos vai se manter quando o cenário internacional virar contra nós?
Quem está fazendo isso acontecer — e onde está o risco
As políticas de emprego não caem do céu. Foram decisões: crédito para micro e pequenas empresas, investimento em setores estratégicos, reforma tributária que reduziu carga sobre folha de pagamento. Números concretos: 121,3 mil empregos em um mês. Apenas em setembro. Isso exige planejamento, não acaso.
Mas há um padrão invisível. A maioria dessas vagas surge em setores de serviços, comércio e construção. Ganham quem já está próximo dos centros urbanos. E aquele trabalhador rural? Aquela mulher no interior do Nordeste? Ainda aguardam a onda chegar até elas.
O que é possível fazer — e onde já funciona
Nós sabemos que formalização em massa é factível. Argentina reduziu informalidade de 48% para 38% em três anos com política de bônus fiscal. Uruguai mantém formalidade acima de 75% há uma década com incentivos claros. Brasil tem todos os mecanismos. O que falta é garantir que nenhuma região, nenhuma faixa etária, nenhum gênero fica para trás nesse processo. Devemos expandir essas políticas para o campo, para cidades pequenas, para grupos historicamente excluídos.
1,24 milhão de vagas formais em nove meses não é detalhe — é evidência de que o modelo funciona. Mas também é alerta: funciona enquanto o investimento continua. Funciona enquanto mantemos foco e recursos.
O Brasil está em encruzilhada. Podemos consolidar essa tendência, expandir para todos os cantos do país, transformar formalidade em norma. Ou podemos perder o ritmo, deixar voltar a informalidade, aceitar que milhões vivam sem direitos. A escolha não é econômica. É política. É sobre nós.
Fonte: @casacivilbr no X (Twitter)