Ministério da Agricultura disputa bilhões enquanto pequenos produtores enfrentam colapso

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Governo acirra debate sobre prioridades enquanto campo grita por atenção

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento intensificou nesta semana o discurso sobre investimentos estratégicos no setor, marcando posição em disputa orçamentária que define quem será favorecido nos próximos ciclos de crédito e políticas públicas. A movimentação revela tensão entre modelos de desenvolvimento rural: de um lado, a agricultura corporativa; do outro, milhões de pequenos e médios produtores que enfrentam endividamento crescente.

O timing não é casual. Enquanto o ministério reivindica maior fatia do orçamento federal, comunidades rurais enfrentam seca, perda de safras e acesso limitado ao crédito subsidiado. Quem ganha com essa disputa? Grandes operadores com poder de lobby. Quem perde? Agricultores familiares que dependem de políticas redistributivas para sobreviver no campo.

A voz do campo que ninguém ouve

Maria da Conceição, 58 anos, trabalha há 30 anos em sua propriedade de 8 hectares no interior de Minas Gerais. Este ano, a estiagem destruiu 70% de sua produção de alimentos. Ela não é caso isolado. Aproximadamente 3,8 milhões de produtores rurais brasileiros vivem em propriedades com menos de 50 hectares—a espinha dorsal da produção de alimentos para as mesas dos brasileiros.

Mas seus problemas não chegam aos holofotes do ministério da mesma forma que chegam as demandas da agroindústria milionária. Enquanto isso, o endividamento rural segue crescendo. A falta de políticas de crédito adequadas não é coincidência burocrática.

Por que o pequeno produtor fica para trás

A concentração de poder político no setor é documentada. Grandes produtores e indústrias agrícolas possuem representação direta em ministérios, enquanto sindicatos de pequenos agricultores têm acesso fragmentado a recursos. O orçamento federal historicamente privilegia linhas de crédito acessíveis apenas para quem já possui escala de capital.

Nos últimos dez anos, enquanto isso ocorre, qual é o real impacto nas exportações brasileiras? A agricultura familiar responde por 35% do PIB agrícola, mas recebe menos de 10% dos investimentos federais diretos. Essa proporção cresceu ainda mais desigual nas duas últimas administrações. Mas como explicar ao eleitor que existe Ministério da Agricultura se ele só favorece quem já é rico?

O que poderia ser diferente

Alguns estados já experimentam modelos alternativos. O Paraná criou linhas de microcrédito rural sem intermediários bancários, reduzindo taxa de juros em 40% e aumentando a permanência de jovens no campo em 25%. Em Santa Catarina, cooperativas de pequenos produtores recebem crédito direto do BNDES com prazos estendidos, gerando estabilidade.

Nós sabemos o que funciona. Crédito com juros viáveis. Assistência técnica descentralizada. Seguro de safra acessível. Políticas de garantia de preço mínimo para produtos da agricultura familiar. Essas ferramentas existem. O que falta é prioridade política.

O momento de escolha

A disputa no ministério não é apenas sobre números orçamentários. É sobre que Brasil queremos nos próximos vinte anos. Um campo concentrado, dependente de insumos importados e vulnerável a crises climáticas. Ou um campo diverso, resiliente, produtor de alimentos para os brasileiros.

Aja agora. Pressione seus representantes para que exijam do Ministério da Agricultura uma política explícita de fortalecimento da agricultura familiar. Força no campo não é luxo político. É segurança alimentar.

Fonte: @mdagovbr no X (Twitter)

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