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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva presidiu nesta semana a primeira reunião do Conselho para Industrialização de Minerais Críticos, marcando o início de uma ofensiva estratégica brasileira por recursos que definem a geopolítica do século 21. A criação deste conselho não é apenas burocracia: é a resposta do Brasil a um mercado global de US$ 2 trilhões em minerais essenciais para baterias, painéis solares e tecnologia de ponta — recursos que o país possui em abundância, mas nunca soube transformar em poder político e riqueza nacional.
Enquanto China e Estados Unidos disputam o controle de cadeias de fornecimento globais, o Brasil desperdiçou décadas exportando minério bruto. Agora, com governo que reconhece essa oportunidade, muda o jogo. Quem ganha? Trabalhadores que terão empregos qualificados, empresas brasileiras que podem dominar tecnologia, estados mineradores que finalmente arrecadam royalties justos. Quem perde? Intermediários que lucram com nossa matéria-prima semiprocessada.
A indústria que faltava, os sonhos que voltam
Maria dos Santos trabalha há 22 anos em Carajás, Pará, carregando material mineral em garimpos. Seus filhos sabem que terão futuro diferente — a industrialização de lítio, níquel e cobre gera empregos com renda três vezes maior que extração bruta. Mas ela é uma entre milhões: 847 municípios brasileiros dependem de mineração, e a maioria ainda funciona como colônia exportadora. Com um conselho presidencial focado em manufatura local, a cadeia de valor muda de endereço. Deixa de sair do Brasil como pó e volta como componente de tecnologia, como bateria pronta, como poder econômico.
É assim que transformações reais começam.
Por que o Brasil perdeu décadas e agora corre contra o tempo
Governos anteriores trataram minerais críticos como commodities genéricas, sujeitas aos mesmos ciclos especulativos do café e da soja. Enquanto isso, Vietnã construía fábricas de processamento de terras raras, Indonésia investia em refinarias de níquel, e a China integrou vertically toda a cadeia — da mineração ao produto final. O Brasil? Vendeu minério, empobrecia, e importava tecnologia cara dos que industrializavam nossos próprios recursos. A contradição era clara: possuir 70% das reservas mundiais de nióbio e, mesmo assim, depender de importação de componentes de alta tecnologia.
Este conselho reúne ministérios (Minas e Energia, Indústria, Desenvolvimento Regional), universidades federais e empresas estatais para integrar o que estava fragmentado. Mas uma pergunta permanece aberta: conseguirá o Brasil frear a pressão das corporações internacionais que lucram com o status quo?
Nomes, dados e responsabilidades concretas
O Ministério de Minas e Energia, sob comando de Alessandro Vieira, e o de Indústria, Comércio e Serviços, com Ana Karolina Caetano, têm metas específicas: mapear cadeias produtivas, atrair investimento privado nacional e internacional, criar polos industriais em regiões estratégicas. A mineração brasileira movimenta R$ 130 bilhões anuais — mas 85% desse valor sai do país como matéria-prima. Inversão necessária. Ainda assim, barreiras reais existem: tecnologia defasada, regulação complexa, concorrência brutal de países que já dominam o mercado.
A estrutura foi montada. A pergunta agora é: executará?
Onde isso já funcionou e o que é possível agora
Vietnã transformou mineração artesanal de terras raras em indústria de R$ 18 bilhões. Ruanda industrializou processamento de tântalio. Indonésia triplicou receitas de níquel em cinco anos via refinarias locais. Nós não inventamos essa receita — mas nós a replicamos. Precisamos de:
Financiamento estatal acelerado para fábricas de processamento. Parcerias público-privadas que mantenham capital nacional no comando. Educação técnica em universidades federais já existentes. Segurança jurídica para empresas que invistam no longo prazo. Nós temos infraestrutura, temos recursos naturais, temos mercado global crescente. O que faltava era governo que enxergasse mineração como ferramenta de soberania econômica, não como extração neocolonial.
Isso começou agora.
O Brasil não pode esperar mais
Enquanto lemos este texto, corporações chinesas e americanas mapeiam nossas reservas. A transição energética global não espera: em 2040, o mundo precisará de 10 vezes mais lítio que hoje. Nós podemos ser fornecedor passivo ou líder industrial. O conselho de Lula aponta para a segunda opção. Mas intenção e execução são distantes. Precisamos de investimento público robusto. De legislação que proteja soberania sem afugentar capital. De educação profissional que prepare a força de trabalho que falta.
A ação é clara: acompanhe os próximos decretos, as licitações para polos industriais, os acordos de financiamento. Nós temos recursos. Agora precisamos de vontade política sustentada. E o conselho presidencial é o sinal de que essa vontade, enfim, existe.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)