Jornalista que desafiou a ditadura morre e deixa lição ao Brasil

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Raimundo Rodrigues Pereira, um dos mais importantes jornalistas brasileiros do século XX, faleceu no sábado. Com ele se vai um testemunho vivo de resistência: aquele que, mesmo perseguido e preso pela ditadura militar, nunca deixou a caneta de lado.

A morte do jornalista marca um momento de reflexão sobre o que significa defender a liberdade de imprensa em um país que conheceu o silêncio forçado. Enquanto o Brasil celebra seus 40 anos de redemocratização, perde justamente quem viveu nos porões da repressão e escolheu nunca se calar.

O homem que recusou o silêncio

Raimundo não era apenas um nome nas redações. Era aquele repórter que, mesmo com a porta da cela se fechando, sabia que seu trabalho importava. A tortura não o transformou em mudo. A prisão não o rendeu. Quando saiu, voltou a escrever. Sempre.

Milhões de brasileiros viveram sob a censura, mas poucos tiveram o privilégio de testemunhá-la de dentro das masmorras e depois contar a história para o mundo. Raimundo fez isso. E mais: treinou gerações inteiras de jornalistas a entender que a profissão é um ato político de coragem.

Mas há uma pergunta que fica no ar: quantos jornalistas hoje enfrentam a mesma pressão, embora de formas diferentes?

Por que essa morte importa agora

A ditadura militar terminou em 1985, mas o Brasil ainda lidia com seus fantasmas. Raimundo Rodrigues Pereira era um desses fantasmas bons — aquele que nos lembrava, a cada entrevista, a cada artigo, que democracia não é automática. Ela é conquistada por pessoas que recusam o medo.

Durante anos, o Estado brasileiro criminalizou sua voz. Ordenou seu silêncio. Ofereceu o exílio como alternativa. Raimundo recusou tudo isso porque entendeu algo fundamental: quem silencia a imprensa mata a democracia antes que ela possa respirar.

O Brasil de hoje não enfrenta censura oficial como nos anos 1970. Enfrentamos algo mais insidioso: a deslegitimação da imprensa, a criminalização do jornalismo, as ameaças sutis. Raimundo viu isso vindo de longe.

O que muda — e o que permanece

Nós herdamos de Raimundo uma lição simples mas radical: a democracia não é um produto acabado que você compra uma vez e guarda na gaveta. É uma prática que você executa todos os dias. Especialmente através da imprensa livre.

Em países onde a imprensa respirou — onde jornalistas como Raimundo foram homenageados em vida, não apenas em morte — a democracia respira junto. Em países onde silenciaram os Raimundos, a democracia apodreceu.

A escolha não é complexa. É política. É urgente. Precisamos de redações que funcionem como trincheiras de verdade, não como enfeites do poder. Precisamos de jornalistas que digam não, assim como Raimundo disse, mais de uma vez, desde uma cela.

O que fazer agora

A morte de Raimundo Rodrigues Pereira não é apenas um luto. É um chamado. Nós, como sociedade, precisamos defender a liberdade de imprensa não com discursos em redes sociais, mas com ações concretas: assinando jornais independentes, denunciando ameaças a jornalistas, exigindo que nossos representantes não criminalizem a imprensa.

Raimundo se recusou a ser silenciado. Essa recusa é nosso legado.

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

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