O Ministério das Cidades iniciou uma agenda territorial que coloca a região Norte no centro da estratégia de transformação urbana do país. A mobilização começa agora e percorre todo o território nacional, combinando investimentos concretos em infraestrutura com reformulação das políticas públicas que regem o desenvolvimento das cidades brasileiras.
Enquanto isso, milhões de brasileiros vivem em municípios que carecem de saneamento básico, mobilidade urbana e habitação adequada. A agenda representa uma reconfiguração de prioridades: sai a negligência histórica das periferias; entra o reconhecimento de que modernizar cidades é sinônimo de justiça social. Quem ganha? As comunidades que há décadas esperam por infraestrutura digna. Quem perde? Os modelos privatistas que lucram com a precariedade urbana.
A realidade que toca as pessoas
Maria trabalha há 15 anos como vendedora ambulante nas ruas de Manaus. Sua filha estuda em uma escola que não tem internet de qualidade. Seu bairro não tem asfalto decente. Maria representa 38 milhões de brasileiros que vivem em cidades com infraestrutura inadequada—pessoas para quem modernização não é palavra de campanha, é promessa de dignidade.
Quando a agenda chega à região Norte, ela chega onde a urbanização aconteceu sem planejamento. Sem saneamento. Sem transporte. A história diz: sempre que o Estado se ausenta, a população paga o preço. Agora, a presença institucional oferece uma segunda chance.
Por que a Norte estava esquecida
A região Norte concentra 8,7% da população brasileira, mas recebeu historicamente menos de 5% dos investimentos em infraestrutura urbana. Décadas de abandono criam déficits imensos: apenas 68% dos domicílios na região têm acesso adequado a saneamento, contra 89% na região Sul.
Quem tem interesse em manter esse status quo? Os mesmos que lucram com cidades fragmentadas, sem transporte público eficiente, sem planejamento integrado. Cidades fragmentadas são cidades onde poucos ganham muito e muitos vivem pouco. Mas como muda essa lógica sem confrontar os poderes estabelecidos? Essa é a pergunta que a agenda deve responder concretamente.
Os nomes por trás da mudança
O Ministério das Cidades está nomeando responsáveis em cada estado, definindo metas territoriais específicas e alocando recursos orçamentários. Não é anúncio vago. É estrutura. Modernizar significa: aumentar a cobertura de água tratada de 68% para 85% na região Norte em 24 meses. Significa expandir a malha de transporte público em cidades médias que sofrem com mobilidade urbana impossível.
Infraestrutura funciona quando há responsabilidade nomeada, quando há dado mensurável, quando há consequência para quem não entrega. Essa é a diferença entre promessa e programa.
O que já provou funcionar
Em cidades onde o planejamento integrado avançou—como em Curitiba e em trechos de Salvador e Recife—a modernização urbana gerou encadeamentos econômicos: mais empregos locais, maior circulação de renda, maior segurança. Nós sabemos que urbanização bem-feita não é luxo—é multiplicador de oportunidades.
A mesma lógica que funcionou no Sul e Sudeste pode funcionar na Norte, desde que adaptada à realidade amazônica: mobilidade fluvial integrada, saneamento de baixa geração de resíduos, energia distribuída. Nós temos expertise. Falta vontade política permanente.
Agora é o momento
A agenda que sai da região Norte e percorre o país inteiro não é cosmética. É escolha de modelo. Cidades modernizadas são cidades mais igualitárias, mais empregadoras, mais resilientes. Enquanto isso, o tempo passa para quem espera por asfalto, água e dignidade.
Se você vive em município urbano desassistido, se sua filha vai a escola sem internet, se seu bairro não tem transporte decente: acompanhe essa agenda. Cobre dos gestores locais compromisso com metas. Nomeie quem é responsável. Modifique cidades, modifique vidas. Essa é a única modernização que importa.
Fonte: @mdascidades no X (Twitter)
🎙 Ouça o podcast desta matéria — Agenda Positiva