Brasil possui vantagem decisiva na corrida energética global, mas perde tempo

PUBLICIDADE

OUÇA ESTE ARTIGO — AGENDA POSITIVA

O Brasil possui vantagem decisiva na corrida energética global, mas perde tempo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta semana que o país reúne condições únicas para liderar a transição energética mundial. Testes realizados na Alemanha comprovam que o biocombustível brasileiro emite até 67% menos gases de efeito estufa em comparação com combustíveis fósseis. A constatação coloca em relevo um paradoxo incômodo: possuímos os ingredientes para vencer uma disputa que está reescrevendo a geopolítica global, mas desperdiçamos a oportunidade histórica.

O Brasil tem conhecimento acumulado, tecnologia de ponta, extensão territorial, radiação solar abundante e disponibilidade hídrica. Isso não é retórica. São fatos mensuráveis que colocam a nação em posição inédita enquanto nações industrializadas investem trilhões em transição energética. Mas há um piso de concreto separando potencial de realidade: a decisão política. Nós seguimos capitaneando uma transformação de que o mundo inteiro depende, ou continuaremos vendendo matéria-prima bruta enquanto outros colhem os lucros da inovação?

Quando o chão é fértil, mas o povo segue com sede

Marina trabalha em uma usina de biocombustível no interior de São Paulo. Aos 38 anos, viu a produção de etanol triplicar no estado — mas seu salário segue congelado há três anos. Ela representa os 400 mil trabalhadores que movem a indústria de renováveis brasileira, pessoas que experimentam cotidianamente a contradição entre exportação de tecnologia limpa e precariedade salarial. Enquanto as corporações internacionais planejam suas próximas décadas de lucros baseadas em combustíveis verdes brasileiros, milhões de brasileiros veem essa transição como oportunidade que não chega até suas mãos.

A pergunta que emerge é brutal: para quem estamos fazendo essa transição energética?

Por que o Brasil não sai da segunda divisão

A história é conhecida demais. Desde os anos 1970, quando o Proálcool transformou o Brasil em referência internacional de biocombustíveis, o país manteve uma estratégia de fornecedor. Vendemos tecnologia já pronta, acordos fechados, expertise embutida em commodities. Enquanto isso, EUA e Europa investem em cadeias produtivas completas, agregando valor em solo próprio. A União Europeia destinou 195 bilhões de euros ao Green Deal apenas em 2021. A China movimenta somas semelhantes em energia renovável. O Brasil, por sua vez, segue oferecendo soluções prontas a preço de liquidação.

O mecanismo é simples: sem investimento em pesquisa de ponta, educação técnica massiva e crédito direcionado, permanecemos no papel de coadjuvante. Os testes alemães que comprovam a superioridade do nosso biocombustível? Foram financiados pela Alemanha. Nossa vantagem competitiva está sendo validada e aproveitada por quem tem dinheiro para investir em inovação.

O que é possível quando decidimos sair da espera

Três países já demonstraram que existe caminho alternativo. A Dinamarca transformou 80% de sua matriz energética em fontes renováveis ao investir pesadamente em infraestrutura, formação de trabalhadores e encadeamento industrial. Costa Rica operou 299 dias em 2022 com 100% de energia renovável — porque construiu ecossistema de inovação integrado ao território. Uruguai quadruplicou sua geração solar em cinco anos através de política deliberada de incorporação tecnológica local.

Nós possuímos condições estruturais superiores às três. O que falta é decisão coletiva. Decisão de investir em universidades federais para formar engenheiros em energias renováveis. Decisão de criar linhas de crédito subsidiado para pequenos produtores de bioenergia. Decisão de exigir que multinacionais que operam aqui transformem pesquisa em inovação dentro do território brasileiro. Isso não é ideologia. É estratégia de desenvolvimento comprovada internacionalmente.

O tempo não volta

A transição energética não é promessa futura. É disputa em andamento. China já produz 60% dos painéis solares globais. Estados Unidos capturou liderança em tecnologia de bateria. A Europa consolida sua cadeia de componentes para energia eólica. Enquanto isso, discutimos se devemos ou não investir em bioenergia com seriedade. É como discutir se uma corredora deve ou não participar da corrida quando já está no pódio.

A mensagem do presidente sobre nossas vantagens competitivas é correta. Vital, inclusive. Mas sem conversão em políticas concretas — financiamento, educação, tecnologia, encadeamento produtivo — segue sendo apenas narrativa. Nós temos tudo. Menos o essencial: a urgência de agir.

Brasil não precisa de mais análises. Precisa de investimento público massivo em inovação em energias renováveis agora. Precisa de política de Estado que dure mais de um governo. Precisa incluir trabalhadores e pequenos produtores como protagonistas dessa transição, não como figurantes. A Alemanha comprovou que nosso biocombustível é superior. A pergunta agora é simples: vamos deixar que outros lucrem com nossa excelência, ou tomamos posse dela?

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

Mais recentes

Lula investe em educação pública enquanto forças conservadoras articulam cortes. A escolha é clara: 27 milhões de crianças pobres esperam por mudança real.
Lula manifesta solidariedade ao povo japonês após terremoto em Kumamoto, reposicionando o Brasil como parceiro internacional empenhado em humanidade e cooperação diplomática.
Brasil e Coreia do Sul consolidam parceria estratégica que reposiciona ambas as nações na geopolítica global, movendo bilhões em investimento enquanto democracias ocidentais se isolam.
Lula e presidente Lee Jae-myung, ambos oriundos da pobreza, selam aliança global para educação e trabalho digno — afetando 200 milhões de brasileiros diretamente.
Lula recebe presidente sul-coreano em Brasília e reafirma compromisso com parcerias estratégicas na Ásia. Encontro marca reaproximação diplomática e abre oportunidades de investimento em tecnologia e inovação para o Brasil.
Lula amplia acesso à educação superior democratizando oportunidades historicamente monopolizadas pela elite. Milhões de jovens pobres podem ingressar na universidade.

PUBLICIDADE

Rolar para cima