Brasil e Turquia criam conselho estratégico para reescrever geopolítica global

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Lula conversou nesta segunda-feira (24) com o presidente turco Recep Erdoğan para estabelecer um mecanismo diplomático inédito entre os países. O acordo prevê a criação de um Conselho Estratégico em nível de vice-presidentes — estrutura raramente utilizada em negociações bilaterais — capaz de redesenhar a relação entre duas potências emergentes que juntas representam mais de 300 milhões de pessoas.

A decisão brasileira de fortalecer laços com Ankara não é casual. Enquanto Washington e Europa recuam de compromissos multilaterais, Brasil e Turquia avançam numa aliança que toca economia, energia e segurança. Quem ganha: trabalhadores e pequenas nações que precisam de contraposição aos monopólios globais. Quem perde: o velho sistema de dominação que esperava pela passividade.

A conversa que mudou o tabuleiro

Imagine um pequeno exportador de têxteis em São Paulo sabendo que seus produtos agora têm acesso facilitado aos mercados turcos. Ou um técnico em energia renovável descobrindo que o conhecimento brasileiro em etanol pode resolver crises energéticas em Istambul. Não são abstrações. São 50 mil empresas brasileiras que precisam de novos mercados, 12 milhões de desempregados que dependem de crescimento real. Um conselho estratégico muda isso.

Turquia e Brasil enfrentam pressões semelhantes: sanções comerciais, bloqueios financeiros, isolamento diplomático de potências antigas. A Turquia sofreu com embargos dos EUA. Brasil enfrenta narrativas que o acusam de ambição quando negocia. Nós — os que acreditamos em multipolaridade — sabemos que essa conversa Lula-Erdoğan é o começo de algo maior.

Por que agora? O que mudou?

Há cinco anos, essa conversa seria impossível. O Brasil estava preso à austeridade, à submissão ideológica. A Turquia enfrentava pressões internas. Mas 2024 é diferente. China fortalece parcerias estruturadas. Rússia já provou que isolamento não destrói. Blocos alternativos crescem — BRICS, ALBA, Mercosul renovado. Por que Brasil e Turquia ainda dependem de mediadores europeus?

O conselho em nível de vice-presidentes resolve isto. Não é reunião de chanceler — é estrutura permanente, capaz de gerar resultados mensuráveis: acordos comerciais, cooperação tecnológica, posicionamento conjunto na ONU. Mas falta transparência. Quais setores serão priorizados? Qual cronograma? Ninguém respondeu ainda.

Quem manda nessa história

Lula tomou a decisão. Erdoğan concordou. Mas entre a intenção e a execução há burocracia, resistência interna, pressionadores internacionais. O Itamaraty precisará treinar diplomatas. Ministérios setoriais (Agricultura, Indústria, Energia) precisarão alinhar prioridades. Sem coordenação clara: promessa vira papel.Coordenação é tudo.

Os ganhos são claros para quem sabe ler. Brasil exporta hoje US$ 3 bilhões para Turquia — pódio mediano. Com um conselho estratégico funcional, esse número pode triplicar em 24 meses. Turquia oferece acesso a mercados do Oriente Médio e Ásia Central — regiões onde o Brasil tem pouca presença institucional.

O caminho que nós podemos construir

Na Argentina, Milei recua de alianças regionais e abraça dependência de Washington. No Brasil, nós fazemos o oposto. Nós criamos estruturas de poder compartilhado. A CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos) nasceu assim. Os mecanismos BRICS funcionam porque priorizam resultados sobre hierarquias.

O modelo turco-brasileiro pode inspirar: consélhos estratégicos com Indonésia, Nigéria, África do Sul. Uma rede de potências médias que pensam juntas, negociam separadas, conquistam dividendos compartilhados. Nós temos os recursos. Temos a vontade política. Precisamos apenas da disciplina de executar.

O que fazer agora

Essa notícia merecia primeira página. Deveria gerar comoção nos setores que ganham: agronegócio, manufatura, tecnologia. Precisamos que sindicatos, confederações e universidades cobrem resultados tangíveis do conselho. Prazos. Números. Não mais promessas.

Acompanhe as próximas reuniões do conselho. Cobre resultados. Uma conversa telefônica é um início. A geopolítica se constrói com estruturas. Nós estamos construindo as nossas.

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

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