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O Ministério do Desenvolvimento Social rebate, nesta semana, uma narrativa recorrente na política brasileira: a de que programas de transferência de renda e assistência social seriam gastos inúteis. A resposta vem em momento em que figuras públicas insistem em desqualificar políticas que movimentam bilhões na economia e sustentam milhões de famílias.
Quando alguém com acesso a microfone chama programa social de “balela”, não está fazendo apenas uma crítica econômica. Está dizendo que as pessoas que vivem daquilo — mães alimentando filhos com auxílio emergencial, idosos recebendo benefício — não merecem dignidade. Está elegendo quem importa e quem não. E o governo federal quer que fique claro: essa escolha tem consequências reais.
A vida que os números escondem
Marisa vive em Fortaleza com três filhos. O Auxílio Brasil, que começou em 2022, permitiu que ela comprasse material escolar e alimento sem deixar ninguém passando fome. Não é história isolada. São 21 milhões de famílias que dependem de transferências de renda — um em cada cinco brasileiros. Quando críticos chamam isso de balela, falam sobre a vida real de uma em cada cinco pessoas que você cruza na rua.
O impacto não fica no bolso do beneficiário. Esses recursos vão direto para o comércio local. Padaria, mercearia, farmácia. Pequenos negócios que geram emprego nas comunidades.
Por que alguns insistem em negar o óbvio
A desqualificação de políticas sociais não é acidental. Tem raiz em uma visão de mundo onde pobreza é falha moral, não estrutural. Quem defende esse discurso geralmente controla narrativas em grandes plataformas, frequenta círculos onde programa social é exótico — algo que “eles” recebem, nunca nós.
Mas existe um paradoxo incômodo para essa retórica: as evidências internacionais mostram consistentemente que transferência de renda reduz pobreza extrema, aumenta escolaridade infantil e melhora saúde. O Brasil tem 20 anos de dados comprovando isso. Então por que ainda há quem chame de balela? Porque admitir que funcionam exigiria reconhecer que pessoas pobres merecem investimento público. Muitos não estão dispostos a fazer essa concessão.
Qual narrativa vence quando dados e negação ocupam o mesmo espaço?
Quem lucra com o descrédito
Deputados e senadores que votam contra aumento real do Auxílio Brasil, enquanto mantêm subsídios agrícolas intocáveis. Comentaristas que questionam gasto social mas não questionam desonerações para setor financeiro. A escolha é sempre política. Não existe “gastos sem ideologia”.
Dados do Tesouro Nacional mostram que a pobreza extrema caiu 62% entre 2003 e 2014 — período de expansão de políticas sociais. Não é acaso. É causa e efeito comprovável. Mas quem quer manter privilégios não quer que você saiba disso.
O que é possível fazer agora
Nós — governo, sociedade, movimentos — temos pela frente a tarefa de blindar essas políticas contra a negação sistemática. Significa: publicar mensalmente dados de impacto; conectar beneficiários com mídia para contar suas histórias; responsabilizar públicos que espalham desinformação; expandir programas onde comprovadamente funcionam.
Países como Ruanda e Moçambique começaram seus próprios programas inspirados no modelo brasileiro. Não porque leiam tweets de críticos brasileiros. Porque viram funcionar.
O que está em disputa mesmo
Não é sobre economia. É sobre poder. Sobre quem decide se cinco milhões de crianças brasileiras comem bem ou passam fome. Sobre se enxergamos nossas próprias comunidades como dignas de investimento público ou como encargo.
O Ministério responde. E o Brasil inteiro precisava estar ouvindo: programas sociais não são balela. São escolha. Eles existem porque alguém defendeu, insistiu, votou. E agora está na sua mão defender também — ou permitir que a narrativa do descaso vença novamente.
Compartilhe histórias de quem vive isso. Porque o silêncio favorece só quem quer desqualificar a vida dos outros.
Fonte: @mdsgovbr no X (Twitter)