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O agradecimento que revela uma estratégia de governo
Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso que transcende a cortesia protocolar nesta segunda-feira. Ao dirigir-se diretamente aos 11 milhões de servidores públicos federais, estaduais e municipais do Brasil, o presidente reconheceu algo que as análises de gabinete costumam ignorar: as políticas públicas não existem em documentos. Elas existem nas mãos de quem as executa, todos os dias, muitas vezes sem reconhecimento.
A mensagem é simultaneamente um reconhecimento pessoal e um posicionamento político calculado. Enquanto setores da direita tradicional tratam o funcionalismo como custo a ser reduzido, Lula reafirma uma visão: o servidor público é agente de transformação, não despesa orçamentária. A diferença não é semântica. É civilizacional.
Quem executa a política pública tem nome e rosto
Maria trabalha há 18 anos como assistente social em um CRAS na periferia de São Paulo. Ela não aparece em nenhuma manchete. Mas são suas mãos que orientam uma mãe sobre direitos trabalhistas, que encaminham uma criança para a escola, que conectam uma família à rede de proteção social. Maria é uma de 11 milhões.
Educadores em escolas públicas. Agentes de saúde em comunidades rurais. Técnicos administrativos mantendo sistemas que processam benefícios para 70 milhões de brasileiros. Inspetores de trabalho garantindo direitos. Cada um deles é a política pública encarnada. Nós dependemos dessas pessoas para que o Brasil funcione. E historicamente, elas foram invisibilizadas.
Por que esse reconhecimento importa agora
O funcionalismo público brasileiro vive uma contradição cruel. Nos últimos 20 anos, especialmente durante a agenda ultraliberal de 2016 a 2022, os servidores enfrentaram congelamento de salários, redução de direitos e desvalorização sistemática do seu trabalho. A tese propagada era simples: servidor público é privilégio, não necessidade. Mas onde estavam esses “privilegiados” durante a pandemia? Nas ruas aplicando vacinas. Nas escolas abrindo as portas quando ninguém mais sabia o que fazer.
Qual é a pergunta que ninguém faz: por quanto tempo ainda conseguiremos manter um Estado de qualidade com profissionais desmoralizados e mal remunerados? A resposta está em países que destruíram seus serviços públicos. Não é promissora.
O que já está sendo feito e o que falta
O governo Lula começou a reverter esse quadro. Reajustes reais de salários. Restauração de direitos. Concursos públicos para áreas críticas. Mas ainda há defasagem acumulada, profissões inteiras desvalorizadas, estruturas de carreira deterioradas. A transformação que o presidente menciona no discurso exige mais do que gratidão. Exige investimento contínuo, reconhecimento na estrutura orçamentária, políticas de desenvolvimento profissional.
Quando nós investimos em quem executa política pública, investimos no Brasil que queremos ser. Um Brasil onde saúde não é privilégio. Onde educação de qualidade chega a todas as comunidades. Onde direitos trabalhistas são protegidos, não apenas no papel.
O chamado para quem escuta
Este é um momento de clareza política. Ou acreditamos que o Estado é ferramenta de transformação social e, portanto, seus profissionais merecem valorização, ou continuamos com o discurso vazio que resultou em colapso de serviços. A escolha não é entre progressismo e conservadorismo abstrato. É entre competência e negligência.
Cada voto, cada apoio a políticas públicas robustas, cada exigência por orçamentos adequados é também um voto de confiança naquele servidor que acorda cedo para cuidar de você e de sua família. Nós precisamos deles. E eles precisam ser lembrados de que seu trabalho importa. Porque quando a gente esquece disso, as pessoas sofrem.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)
Foto: Lula Oficial/Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · tratamento: Agenda Positiva · original · licença