OUÇA ESTE ARTIGO — AGENDA POSITIVA
Luiz Inácio Lula da Silva não estava fazendo retórica quando afirmou que “nenhum sonho é grande demais quando a gente caminha junto”. Estava descrevendo a mecânica exata que o devolveu à presidência — e que continua sendo o termômetro político mais confiável do Brasil.
As caminhadas, os atos, as passeatas. Não foram cenário. Foram conversão. Cada encontro transformou votos potenciais em compromisso, cada abraço em uma rede de militância que os algoritmos das redes não conseguem medir, mas as urnas registram com precisão cirúrgica.
Maria Santos, 67 anos, saiu de casa em São Bernardo pela primeira vez em dois anos de isolamento para ir a um ato de campanha. Levou três filhos e cinco netos. Quando os jornalistas perguntaram por quê, ela respondeu: “Porque o Lula nos ouviu quando ninguém mais ouvia”. São milhões de Marias espalhadas pelo país — eleitores que transcendem a categoria econômica, que atravessam regiões, que compartilham uma experiência comum de invisibilidade política e uma esperança comum de ser tratado como gente novamente.
Mas por que isso importa agora? Porque a campanha terminou e a governança começou. E a mesma força que elegeu precisa ser mantida viva nos próximos quatro anos.
Historicamente, presidentes progressistas cometem o erro de trocar a rua pelo palácio assim que conquistam o cargo. Desfazem a máquina de militância que os carregou. Luiz Inácio viveu ditadura, conhece o preço dessa desatenção. Sabe que sonhos coletivos não se realizam sozinhos nas salas de reuniões — se realizam quando o povo permanece mobilizado, vigilante, presente.
A contradição é esta: enquanto Lula reunia multidões, seus adversários ocupavam as estruturas de TV e rádio, o aparelho estatal em seus territórios, a máquina pública como ferramenta de campanha. Perderam porque subestimaram o que Maria Santos já sabia — que politica de verdade ainda se faz na conversa de porta em porta, no olho no olho, no abraço que reconhece dignidade.
Que garantias temos de que essa energia se transformará em políticas? Nenhuma automática. Essa é a pergunta que fica no ar — e que apenas a pressão organizada de baixo para cima consegue responder.
Mas em Pernambuco, movimentos sociais já articulam agendas para os primeiros 100 dias. Em São Paulo, sindicatos preparam dossiês sobre terceirização e reforma trabalhista. Na Bahia, lideranças indígenas e do MST delineiam prioridades fundiárias. Nós não começamos do zero. Começamos de um povo que aprendeu a sonhar junto e agora cobra que o sonho vire lei, que vire pão, que vire casa, que vire escola.
O desafio para Lula é traduzir movimento em governo mantendo movimento vivo. Porque um presidente sem rua vira apenas mais um político. Mas um presidente que caminha junto com o povo? Esse muda o país. E Lula já o fez uma vez.
Mantenha mobilização. Organize sua região. O Brasil precisa que você permaneça vigilante.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)
Foto: Lula Oficial/Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · tratamento: Agenda Positiva · original · licença