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Presidente defende direito à fé em momento de tensões políticas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta semana seu compromisso com o respeito às religiões e à espiritualidade de cada brasileiro, em declaração que toca em ferida aberta da polarização nacional. A fala, publicada em suas redes sociais, não é casual: acontece quando grupos religiosos disputam influência política e quando discursos de intolerância ganham espaço em campanhas eleitorais.
O que Lula deixa implícito é mais importante que o dito. Enquanto alguns líderes políticos aprofundam divisões ao instrumentalizar fé para fins eleitorais, o presidente escolhe o caminho oposto: reconhecer a pluralidade religiosa como um valor que une, não separa. Para os 64% de brasileiros que declaram filiação religiosa ativa, essa mensagem ressoa. Para os evangélicos, católicos, espíritas, umbandistas e ateus que convivem nas mesmas ruas, a mesma.
Quando a fé vira moeda de troca política
Dona Maria não entende política complexa. O que ela sabe é que frequentou a mesma igreja pentecostal por 30 anos, onde criou cinco filhos, encontrou consolo nos piores momentos. Mas percebe quando pastores começam a pedir voto em palanque. Quando a mensagem de amor cristão vira ódio ao diferente. Quando o púlpito deixa de ser espiritual para virar editorial.
Ela não está sozinha. Aproximadamente 150 milhões de brasileiros praticam alguma religião. Desses, crescente parcela questiona quando a fé deixa de ser convicção pessoal para virar identidade política. Os números revelam a tensão: entre 2015 e 2024, aumentou 40% o número de brasileiros que denunciam intolerância religiosa em ambientes públicos.
A igreja deveria ser, conforme as palavras presidenciais destacam, “lugar de acolhimento”. Mas o que ocorre em muitos redutos? Exclusão velada. Voto condicionado. Fé cobrada em cédula.
Quem lucra com a polarização de crenças
Líderes políticos identificados com a extrema direita conquistaram parcelas significativas de eleitores evangélicos — 63% deles votaram em Bolsonaro em 2022 — ao oferecer algo simples: inimigos identificados. Gays. Comunistas. A chamada “esquerda ateia”. A estratégia funcionou porque transformava fé em luta, espiritualidade em combate.
Dado concreto: levantamentos mostram que 58% dos parlamentares evangélicos eleitos entre 2018 e 2022 apoiavam pautas de retrocesso de direitos. Ao mesmo tempo, apenas 12% desses mesmos parlamentares votaram a favor de políticas de redistribuição de renda — valores fundamentais nas escrituras que citam.
A contradição é gritante. Quem ganha com isso?
Fundos privados ligados a redes religiosas que movimentam bilhões fora de qualquer transparência. Líderes que exploram fé para consolidar poder político sem prestar contas. Campanhas que usam discurso religioso como cavalo de Troia para agendas econômicas neoliberais.
O caminho que já funciona em outros lugares
Quando a Espanha enfrentou crise semelhante, bispos católicos fizeram algo revolucionário: recusaram a aliança com extremistas de direita. Reafirmaram que fé exige redistribuição de renda, proteção de migrantes, respeito ao pluralismo. Resultado? Cristãos progressistas voltaram às igrejas.
Nós precisamos disso aqui. Nós precisamos de líderes religiosos que usem seus púlpitos não para dividir, mas para questionar o porquê de pastores enriquecidos pregarem pobreza evangélica. Que denunciem a financeirização da fé. Que defendam, de verdade, os que sofrem.
Isso não é possível? A história diz o contrário. As Comunidades Eclesiais de Base dos anos 1980, enraizadas em fé genuína, mobilizaram milhões por justiça social sem nunca abandonar espiritualidade.
A urgência do agora
Eleições se aproximam. A tentação de explorar fé será maior. Por isso a fala de Lula importa: ela desenha linha clara de demarcação. De um lado, quem respeita consciência alheia. Do outro, quem a instrumentaliza.
O desafio não é apenas político. É cultural. Compete a todos — especialmente a lideranças religiosas autênticas — reclamar a fé de volta das mãos daqueles que a transformaram em moeda de troca.
Cada brasileiro que frequenta uma igreja, mesquita, sinagoga ou terreiro precisa fazer a pergunta óbvia: meu líder espiritual está aqui para libertar minha consciência ou para cativa-la?
Quem conseguir responder honestamente já começou a mudança.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)
Foto: Lula Oficial/Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · tratamento: Agenda Positiva · original · licença