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Brasil desafia gigantes globais em proteção digital de crianças
Enquanto termina sua participação nas agendas do G7 na França, o Brasil reposiciona-se como protagonista de uma batalha que as potências ocidentais ainda relutam em abraçar: a proteção efetiva de crianças e mulheres no ambiente digital. Na última reunião de trabalho com os líderes do grupo, o governo brasileiro reafirmou seu compromisso com a aprovação do ECA Digital, sinalizando que não seguirá o modelo de regulação branda que beneficia as grandes corporações de tecnologia.
O que está em jogo é concreto. Mais de 70 milhões de crianças brasileiras usam internet diariamente, expostas a conteúdo abusivo, predadores sexuais e algoritmos viciantes. Enquanto o G7 debate marcos regulatórios que protegem seus próprios cidadãos — mas frequentemente deixam brechas para exploração em países do Sul Global — o Brasil insiste que não há negociação possível quando se trata da segurança de meninas e meninos.
A menina que não deveria estar sozinha na tela
Sofia tem 11 anos e passa três horas por dia em aplicativos de redes sociais. Seus pais não conseguem acompanhar. Os algoritmos a recomendam conteúdo cada vez mais agressivo — primeiro vídeos de automutilação, depois grupos de exploração. Ela é uma entre milhões. Nem a proteção de dados existe. Nem os mecanismos de denúncia funcionam de verdade. A indústria da tecnologia lucra com sua atenção e sua vulnerabilidade.
Essa não é uma história de exceção. É a realidade de 87% das crianças que acessam internet no Brasil sem proteção adequada, segundo levantamento recente do IBGE. Mas há saída. Há resistência.
Por que os gigantes da tecnologia tremem com o ECA Digital
O Estatuto da Criança e do Adolescente Digital não é apenas mais uma lei. É um cerco. Obriga plataformas a verificar idade real de usuários, a remover conteúdo abusivo em até 48 horas, a explicar como seus algoritmos funcionam e a não direcionar publicidade para menores. As grandes corporações investem milhões em lobbying contra essa regulação porque ela reduz lucros.
Nos últimos três anos, Meta, Google e TikTok gastaram R$ 45 milhões em ações legislativas no Brasil para enfraquecer projetos semelhantes. Enquanto isso, a indústria do abuso infantil prospera nos algoritmos desregulados. Qual lado você quer que ganhe?
O modelo que o Brasil está construindo funciona em outros lugares
A União Europeia aprovou o Digital Services Act. Precisou de dois anos de resistência corporativa, mas conseguiu. Portugal implementou regulação de telas para menores de 14 anos. A Argentina avança com sua própria Lei de Proteção Digital. Não é impossível. É trabalhoso, mas possível.
O Brasil, ao reafirmar essa posição no G7, convida outros países do Sul Global a não aceitar as migalhas de regulação que as potências ocidentais deixam cair. Nós podemos fazer diferente. Nós devemos fazer diferente.
O que precisa acontecer agora
O ECA Digital já tramita no Congresso. Mas tramita lentamente, sob pressão silenciosa de corporações. A Câmara e o Senado precisam ouvir: não das empresas de tecnologia, mas de pais, educadores e das próprias crianças que vivem digitalmente desprotegidas.
Essa votação não é técnica. É política. É sobre qual Brasil queremos. Um país que defende seus filhos ou um país que os oferece de graça aos algoritmos do lucro.
Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)