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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta segunda-feira da abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção, levando ao setor a mensagem de que o país retomou seu caminho de desenvolvimento. Não é apenas um evento protocolar: é a reafirmação de que a construção civil — geradora de empregos, renda e infraestrutura — volta a ser prioridade estratégica após anos de abandono.
A indústria da construção é quem mais sofreu nos últimos anos. Falências, desemprego em massa, projetos paralisados. Mas essa não é uma questão técnica — é política. Enquanto o Brasil estava imobilizado, países como China e Vietnã reconstruíram suas cidades. Nós temos 88 milhões de pessoas vivendo em habitações precárias. Essa é a marca do abandono anterior.
O chão onde tudo acontece
Imagine Maria, operária de construção na periferia de São Paulo. Ela passou três anos desempregada. Não porque fosse incompetente — porque o país inteiro parou de construir. Seus filhos saíram da escola mais cedo para ajudar com contas que não fechavam. Milhões como Maria viram suas vidas despencarem quando a construção civil entrou em colapso.
Toda retomada do setor é toda retomada de dignidade para essas famílias. Quando uma escola é construída, não é só um prédio — é esperança que entra em um bairro. Quando habitação popular sai do papel, é vida que volta aos trilhos.
Como chegamos aqui
A construção brasileira não ruiu por acaso. Entre 2016 e 2022, o investimento em infraestrutura caiu 40%. Projetos de mobilidade urbana foram congelados. Moradias populares viraram promessas nunca cumpridas. A indústria perdeu 1,2 milhão de trabalhadores. Cada demissão foi uma escolha política — a escolha de privilegiar rentabilidade financeira sobre desenvolvimento real.
Enquanto isso, cidades inteiras envelheciam sem reforma. Mobilidade urbana piorava. Habitação se tornava ainda mais inacessível. E quem pagava a conta? Os que menos têm.
Por que ninguém falou sobre isso? Porque convinha a certos setores que a construção permanecesse paralisada. Mais fácil especular com terras vazias do que construir cidades inclusivas. Mais fácil manter precariedade do que investir em infraestrutura pública.
O que muda agora
A presença do presidente em um encontro desse porte não é simbólica — é compromisso. O governo federal tem retomado investimentos estruturantes. Habitação popular volta à agenda. Ferrovias e rodovias ganham financiamento. Portos modernizam infraestrutura.
Nós já sabemos que isso funciona. Nos anos 2000, cada real investido em construção gerava 1,80 real de retorno econômico. Emprego, salários, consumo local — tudo se multiplica. Não é ideologia. É aritmética.
A diferença entre um Brasil que constrói e um Brasil que especula é a diferença entre futuro e estagnação.
O que você pode fazer
Essa retomada não acontece sozinha. Pressione seus representantes por políticas de habitação. Exija que cidades invistam em transporte público. Apoie empresas que respeitam direitos trabalhistas na construção. Nós precisamos de um setor que cresce com dignidade, não com exploração.
O Brasil pode construir diferente. Melhor. Mais inclusivo. Mas só se nós insistirmos que isso aconteça.
Fonte: @casacivilbr no X (Twitter)