Sete dias antes da Copa: quando o futebol vira política de Estado

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Governo lança contagem regressiva enquanto país se mobiliza para maior evento esportivo

Faltam exatamente sete dias para o pontapé inicial da Copa do Mundo. O governo federal, por meio da conta oficial de esportes, intensifica a narrativa de mobilização nacional — vestir a camisa, reunir a torcida, sonhar juntos. Mas por trás dessa linguagem de celebração coletiva existe uma estratégia política clara: transformar o maior espetáculo do futebol em símbolo de coesão social em um momento de polarização institucional.

A contagem regressiva não é apenas calendário. É disputa de significado. Enquanto a Copa se aproxima, o Estado brasileiro tenta reconectar com uma narrativa de potência nacional — aquela que historicamente transcende divisões e reúne 215 milhões de pessoas sob um mesmo sentimento. Nós somos uma nação de futebol, diz o discurso oficial. E nós temos direito de sonhar juntos.

Quando a bola une o que a política divide

Nas periferias do Rio, São Paulo e Salvador, torcedores passam madrugadas em filas para conseguir ingressos. Fabricio, 42 anos, trabalha como eletricista na zona norte do Rio de Janeiro. Há três décadas vê Copa do Mundo como seu calendário pessoal — marcador de tempo, promessa de pausa na rotina. Este ano, pela primeira vez em sua vida, conseguiu dinheiro para ir a um jogo. “É coisa que a gente sonha desde pequeno”, diz ele. Milhões de brasileiros vivem essa ansiedade: não é apenas esporte, é narrativa de mobilidade social, de pertencimento, de que sim, nós também chegamos lá.

Mas há uma pergunta que ninguém quer fazer antes dos sete dias finais: enquanto o país sonha juntos na Copa, quem fica para trás?

A máquina estatal em ritmo de espetáculo

O investimento do governo em comunicação sobre a Copa revela prioridades. Não é casual que a conta @EsporteGovBR lance contagens regressivas quando o mesmo Estado enfrenta pressão por investimentos em saúde pública, educação e infraestrutura. O futebol, historicamente, é a linguagem que atravessa as classes. Por isso mesmo, é a linguagem que o poder escolhe para falar.

Desde a década de 1970, os sucessos esportivos funcionam como analgésico político — cada medalha olímpica, cada Copa conquistada, cada recorde quebrado, ajuda a população a tolerar um presente difícil. A estratégia não é nova. O que muda é a urgência: em tempos de fragmentação digital e crise de confiança institucional, o governo precisa mais do que nunca dessa ponte emocional com a população.

Nós somos o país que se reinventa pelo futebol

Existe alternativa para essa narrativa: usar o momento da Copa não apenas para sonhar juntos, mas para transformar. Países como Portugal e Uruguai já mostraram que é possível integrar políticas de inclusão social com campanhas de mobilização esportiva. Nós podemos fazer o mesmo.

O que falta é decisão política de traduzir a comoção da Copa em investimento concreto nos espaços onde o futebol é verdadeiramente popular — as quadras sem reforma das escolas públicas, os campos de várzea onde crianças descobrem talento e sonho ao mesmo tempo.

Chegou a hora de agir

Sete dias separam o Brasil de seu maior espetáculo. Sim, vamos vestir a camisa. Sim, vamos reunir a torcida. Mas que essa comoção não termine quando a bola parar. Que a mobilização que hoje é sobre futebol se torne, amanhã, mobilização sobre direitos. Nós temos direito de sonhar juntos — e de exigir que esses sonhos se tornem realidade para todos. Não é pedir demais para um país que joga para ganhar.

Fonte: @EsporteGovBR no X (Twitter)

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