Brasil assume protagonismo na saúde regional e defende produção local de medicamentos e vacinas no Mercosul

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Na 56ª Reunião de Ministros da Saúde do bloco, país reforça integração regional para ampliar acesso a tecnologias, enfrentar emergências sanitárias e fortalecer sistemas públicos

O Brasil assumiu, nesta sexta-feira (13/06), a presidência do Mercosul na área da Saúde com uma agenda estratégica voltada à soberania sanitária regional. Durante a 56ª Reunião de Ministros da Saúde do Mercosul e Estados Associados, realizada em Buenos Aires, o ministro Alexandre Padilha defendeu a ampliação da produção local de medicamentos, vacinas e tecnologias, além do aprofundamento da cooperação multilateral como eixo central para a segurança sanitária no bloco.

“Nosso compromisso com a integração regional é inadiável. Precisamos de sistemas de saúde fortes, inclusivos e resilientes, capazes de responder a emergências e garantir acesso equitativo às tecnologias”, afirmou Padilha.


Produção local, acordos estratégicos e integração com a União Europeia

Na nova liderança, o Brasil terá como prioridade:

  • Consolidação da produção regional de insumos estratégicos em saúde
  • Transferência de tecnologia e inovação
  • Fortalecimento da vigilância sanitária e dos programas de vacinação
  • Negociações com a União Europeia para ampliar parcerias em saúde

A agenda da presidência coincide com a atuação do país na Coalizão do G20 para a Produção Local, liderada pelo Brasil, ampliando a sinergia entre articulação regional e diplomacia global.


Declarações e acordos multilaterais assinados

Durante o encontro, os ministros assinaram quatro acordos multilaterais e uma declaração conjunta, com foco em:

  • Reconhecimento da sífilis, incluindo a forma congênita, como prioridade regional
  • Diretrizes para prevenção da obesidade infantil e do uso excessivo de telas
  • Promoção da transformação digital em saúde, com interoperabilidade e ética no uso de IA
  • Reafirmação da sustentabilidade financeira dos sistemas públicos, com mecanismos técnicos de resolução de controvérsias
  • Compromisso com o direito à saúde, com base em equidade e cooperação

Cooperação em saúde sexual, doenças crônicas e vacinação

Padilha também reforçou o apoio do Brasil a políticas regionais de promoção da saúde sexual e reprodutiva, com atenção especial às populações vulneráveis. O ministro defendeu ações conjuntas contra doenças crônicas não transmissíveis, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

“Precisamos de uma resposta regional coordenada para surtos como dengue, febre amarela e sarampo. Programas de imunização devem ser prioridade nas fronteiras”, reforçou.

O ministro também destacou o êxito recente do Brasil em ações como o Dia D da vacinação contra a gripe e iniciativas escolares, que conseguiram reverter a queda na cobertura vacinal apesar das campanhas de desinformação.


Saúde digital, inteligência artificial e formação de profissionais

O Brasil continuará as discussões iniciadas pela presidência anterior sobre regulamentação da saúde digital e uso ético da inteligência artificial, com foco na proteção de dados e garantia de acesso equitativo.

Como medida concreta, o país anunciou a oferta de 50 mil novas vagas de capacitação via UNA-SUS para profissionais do SUS em temas como saúde digital e vigilância epidemiológica.


Saúde mental, doação de órgãos e agenda climática

Entre os compromissos da nova presidência brasileira estão:

  • Transformação do Comitê Ad Hoc de Saúde Mental em comissão permanente
  • Ampliação dos debates sobre transplantes intervivos e doação de tecidos
  • Fortalecimento do projeto “Fronteiras Saudáveis e Seguras no Mercosul”, com apoio da OPAS e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC)

No campo climático, o Brasil convidou os países do bloco para o lançamento do Plano de Ação de Saúde de Belém, durante a COP30, reforçando que “a saúde precisa estar no centro da agenda climática global”.


Liderança regional e articulação diplomática

Ao encerrar sua participação, Padilha destacou que a presidência brasileira será marcada pela integração política, fortalecimento dos sistemas públicos e diplomacia sanitária ativa:

“Nosso foco é construir uma saúde regional soberana, baseada na solidariedade, ciência e inovação. Vamos trabalhar juntos para garantir um Mercosul mais saudável e resiliente”, concluiu o ministro.


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