Brasil aposta em terras raras para romper dependência tecnológica até 2040

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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação acaba de atualizar um estudo estratégico que coloca as terras raras no centro da agenda de soberania tecnológica brasileira. Até 2040, esses minerais críticos — usados em smartphones, painéis solares, turbinas eólicas e sistemas de defesa — deixarão de ser apenas matéria-prima exportada para virar componentes de valor agregado fabricados aqui. A decisão não é acadêmica. É geopolítica.

Enquanto China controla 70% da produção mundial de terras raras, o Brasil permanecia invisível nessa disputa. Agora, muda. O planejamento até 2040 não é promessa vaga — é roadmap com cenários, investimentos e metas claras. Quem se beneficia? Trabalhadores da mineração que ganham acesso a cadeias produtivas de alto valor. Pesquisadores que conseguem financiamento para inovação local. Pequenas e médias empresas de tecnologia que deixam de importar componentes caros.

Quando mineração vira oportunidade de futuro

Imagine um engenheiro de Goiás que poderia fabricar ímãs de neodímio — elemento crítico para carros elétricos — usando terras raras extraídas do próprio estado. Hoje, isso é ficção. Mas para 15 mil profissionais na cadeia de mineração brasileira e outros 200 mil em setores de tecnologia que dependem desses materiais, essa realidade próxima muda tudo. Não é apenas sobre lucro corporativo. É sobre empregos qualificados que resgatam regiões inteiras.

A falta de processamento local custou caro. Décadas exportando minério bruto enquanto outros países agregavam valor. Aquele padrão está quebrado agora.

A corrida global que Brasil quase perdeu

Por que o MCTI atualizou esse estudo exatamente agora? Porque a geopolítica acelerou. Estados Unidos, União Europeia e Índia já investem bilhões em independência de terras raras. A China, que domina o mercado, usa esse poder como ferramenta diplomática — restringe exportações quando convém politicamente. Brasil assistia de longe.

O dado revelador: 90% das terras raras processadas no mundo saem de fábricas chinesas. Uma sanção, uma tarifa protecionista, e fornecedores globais ficam presos. Nossas indústrias de tecnologia, energia renovável e defesa ficariam refém. Mas qual seria o custo real de construir essa capacidade produtiva aqui? E onde se conseguem investimentos dessa magnitude?

Quem colocou esse plano de pé

O MCTI coordenou a atualização do estudo, envolvendo Universidades, órgãos de pesquisa e empresas do setor. Não é iniciativa isolada — integra compromisso maior com industrialização verde e transição energética. O Brasil tem as jazidas. Tem pesquisadores. O que faltava era projeto integrado.

Cenários até 2040 significa: decisões tomadas hoje determinam realidade daqui a 16 anos. Não é especulação. É planejamento estratégico de estado.

Nós já sabemos como fazer isso funcionar

Outros países mostraram o caminho. Vietnã construiu indústria de processamento de terras raras em 10 anos. Austrália diversificou fornecedores americanos com investimento focalizado. O Brasil tem vantagem: minerais de qualidade, competência técnica dispersa por universidades federais e capacidade de manufatura.

A pergunta real não é se é possível. É se nós vamos mobilizar recursos, política industrial coordenada e investimento privado para fazer isso antes que a janela de oportunidade feche. Os cenários até 2040 existem. Agora precisam virar ação.

A soberania tecnológica não se compra. Se constrói. O Brasil acabou de dizer: vamos construir. O próximo passo é cobrar que esse plano saia do papel — que universidades recebam financiamento para pesquisa aplicada, que empresas encontrem incentivos para investir em processamento local, que trabalhadores da mineração tenham acesso a programas de qualificação. Acompanhe as próximas etapas. A disputa por terras raras é disputa por futuro.

Fonte: @gov_mcti no X

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