Valor previsto na LOA quintuplica média de anos anteriores. Recurso fortalece produção científica nacional e amplia pesquisas em áreas prioritárias como doenças raras, oncologia e saúde da mulher
O Ministério da Saúde destinou R$ 561 milhões para pesquisas científicas em 2025. O valor consta na Lei Orçamentária Anual (LOA) da União e representa um aumento expressivo em relação à média anual de R$ 110 milhões investidos na gestão anterior. A estratégia tem como objetivo consolidar a ciência como pilar estruturante do Sistema Único de Saúde (SUS), reforçando o papel da pesquisa na formulação de políticas públicas, desenvolvimento de tratamentos e redução das desigualdades em saúde.
Os dados foram apresentados durante a Semana de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) para o SUS, que ocorre até 5 de junho em Brasília (DF), reunindo mais de 550 participantes, entre pesquisadores, gestores e representantes técnicos do setor saúde.
Pesquisa como motor do SUS: mais verba, mais foco e mais impacto
Em 2024, o Ministério da Saúde já havia aportado R$ 262,7 milhões em ciência e tecnologia, distribuídos em 336 projetos contemplados por nove editais públicos. Os temas prioritários vão de genômica e terapias avançadas a doenças socialmente determinadas, incluindo também a luta contra a desinformação em saúde, HIV, DANTs e doenças negligenciadas.
Mais da metade dos projetos de 2024 são liderados por pesquisadoras mulheres (49,4%), destacando o compromisso da pasta com equidade de gênero na ciência.
| Área temática | Valor investido | Nº de projetos |
|---|---|---|
| Genômica e Saúde de Precisão | R$ 97,5 milhões | 58 |
| Ensaios Pré-clínicos e Clínicos | R$ 67,8 milhões | 50 |
| Doenças Crônicas (DANTs) | R$ 36,9 milhões | 57 |
| Doenças Socialmente Determinadas | R$ 33,3 milhões | 51 |
| Enfrentamento à Desinformação | R$ 15,9 milhões | 35 |
| HIV, hepatites, ISTs e micoses | R$ 6 milhões | 20 |
| Apoio a eventos científicos | R$ 4 milhões | 50 |
| Avaliação de políticas públicas | R$ 1,1 milhão | 7 |
| Evidências em Saúde | R$ 1 milhão | 8 |
| Total | R$ 262,7 milhões | 336 projetos |
Prioridades 2025: foco em áreas sensíveis e inovação aplicada
Para o próximo ano, estão previstas chamadas voltadas a Saúde da Mulher, Doenças Raras, Doenças Negligenciadas e Oncologia, com foco na produção de evidências que possam ser incorporadas de forma ágil ao SUS — seja na forma de protocolos, medicamentos ou inovações tecnológicas.
Segundo a secretária da Sectics, Fernanda de Negri, o investimento elevado reafirma o papel da saúde como setor estratégico da inovação:
“A saúde é um dos setores que mais investe em ciência no mundo. Estamos somando esforços com universidades, institutos e serviços de saúde para gerar respostas rápidas, efetivas e com base científica.”
Integração entre pesquisa, gestão e assistência
Durante o evento em Brasília, ocorre o Marco Zero dos projetos aprovados em 2024. É o início oficial da execução dos estudos, que passarão por três seminários de avaliação (inicial, parcial e final). A metodologia aproxima pesquisadores das áreas técnicas do ministério, permitindo maior aderência dos projetos às demandas reais da assistência em saúde pública.
Para Meiruze Freitas, diretora recém-empossada do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit), o valor recorde de 2025 é resultado de uma decisão política clara:
“Estamos colocando a ciência no centro da reconstrução do SUS. Isso significa salvar vidas, qualificar a gestão pública e promover um país mais justo.”
Ciência como vetor de desenvolvimento e soberania
A estratégia científica da Saúde articula fomento à pesquisa, formação de redes colaborativas, inovação tecnológica e fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). A expectativa é que os resultados das pesquisas contribuam para:
- Incorporar novos tratamentos e medicamentos no SUS
- Reduzir tempo de resposta a crises sanitárias
- Aumentar a autonomia científica e tecnológica nacional
- Gerar evidências para políticas públicas sustentáveis e baseadas em dados
O esforço é coordenado em parceria com o CNPq, que operacionaliza os editais e acompanha os resultados dos projetos, garantindo transparência e impacto mensurável.