Seminário em Brasília debate cenários estratégicos para moldar a agenda global até 2050. Governo brasileiro aposta em planejamento de longo prazo para enfrentar desafios do século XXI.
Com o mundo atravessando transformações rápidas e crises sistêmicas que vão da emergência climática à revolução digital, Brasil e União Europeia uniram forças para fortalecer o planejamento de políticas públicas com base em foresight estratégico — a análise de cenários futuros como instrumento de decisão governamental.
O tema esteve no centro do seminário “Diálogo UE-Brasil Planejamento de Cenários/Foresight – Moldando a Agenda Global do Futuro”, realizado nesta quarta-feira (28), em Brasília. O evento foi promovido pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), em parceria com a Delegação da União Europeia no Brasil, e reuniu autoridades, especialistas e representantes de organizações nacionais e internacionais.
Planejar é decidir o futuro — e não apenas esperar por ele
Para o ministro do Planejamento e Orçamento substituto, Gustavo Guimarães, o debate é urgente.
“O futuro não é um destino inevitável, é uma construção coletiva. Planejamento com responsabilidade fiscal, justiça social e inovação é o que vai nos permitir moldar esse futuro”, afirmou.
A agenda discutida no seminário incluiu o Relatório de Tendências Globais 2040 da União Europeia, a Estratégia Nacional Brasil 2050 e experiências brasileiras no campo do planejamento de longo prazo. A ideia central: transformar projeções em políticas públicas concretas.
Do diagnóstico ao orçamento: prospectiva na prática
Um dos painéis mais aguardados foi o que abordou como a prospectiva estratégica pode ser incorporada à rotina do Estado, do planejamento ao orçamento público. A secretária nacional de Planejamento, Virginia de Ângelis, defendeu que pensar o futuro exige escuta ativa, transparência e integração entre políticas públicas.
“Prospectiva não pode ser um luxo de especialistas. Precisa virar prática de governo. É isso que estamos fazendo com a Estratégia Brasil 2050: antecipar riscos, fortalecer a governança e oferecer previsibilidade ao país”, pontuou.
Prevista para ser finalizada até julho de 2025, a Estratégia Brasil 2050 é o principal projeto de planejamento de longo prazo do governo federal. O documento integrará planos setoriais, metas regionais e análises de cenários, visando políticas coordenadas para desenvolvimento sustentável e redução de desigualdades.
Valores compartilhados e governança global
Representando a União Europeia, o chefe de missão adjunto Jean-Pierre Bou reforçou a convergência entre os dois blocos em temas-chave como sustentabilidade, democracia e multilateralismo.
“O Global Trends Report 2040 é um convite à ação conjunta. A parceria com o Brasil é estratégica — temos a responsabilidade de pensar o futuro com base em ciência e em valores democráticos comuns.”
A Major-Brigadeiro Carla Lyrio Martins, comandante da Escola Superior de Defesa, trouxe o ponto de vista da segurança nacional:
“Cenários prospectivos não servem só à economia ou ao meio ambiente. São fundamentais também para a soberania, a defesa e a construção de respostas coordenadas aos riscos globais.”
Cooperação reforçada entre Brasil e União Europeia
O seminário marca o início de uma nova fase na cooperação entre Brasil e União Europeia na área de planejamento governamental baseado em evidências e cenários futuros. A proposta é consolidar uma agenda comum com foco em:
- Sustentabilidade e justiça climática;
- Inovação tecnológica com inclusão;
- Fortalecimento institucional e da democracia;
- Integração entre planejamento, orçamento e execução;
- Capacitação técnica e troca de experiências internacionais.
A articulação será conduzida pela Secretaria Nacional de Planejamento (Seplan/MPO) e pela Delegação da UE no Brasil, com apoio de universidades, centros de pesquisa, organismos multilaterais e governos locais.





