Brasil ignora potência de 100 milhões de jogadores e R$ 13 bilhões em games

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O Brasil possui a maior indústria de games da América Latina. São 100 milhões de jogadores e um mercado que movimenta R$ 13 bilhões por ano. Mas enquanto o país celebra números impressionantes, pouca coisa muda para quem vive dessa criatividade.

Lula conversou esta semana sobre o setor no programa Desce a Letra. A mensagem é clara: reconhecemos a potência. Agora vem a pergunta incômoda: por quanto tempo vamos deixar essa indústria crescer sem infraestrutura, sem política pública, sem proteção?

Milhões de jogadores invisíveis para o Estado

Um desenvolvedor independente em São Paulo acorda cedo. Trabalha 12 horas criando um jogo que pode viralizar globalmente. Ganha R$ 2 mil por mês. Não tem direitos trabalhistas, não contribui formalmente, não tem acesso a crédito. Ele é um entre milhões que sustentam essa indústria de R$ 13 bilhões como freelancer, como invisível.

A história se repete em todas as capitais. Produtoras pequenas disputam espaço com gigantes internacionais. Streamers constroem impérios de seguidores enquanto negociam cachês de miséria. Ninguém pensa em aposentadoria. Ninguém pensa em futuro. O setor cresce, mas quem trabalha nele não sente.

Por que o Brasil desperdiça sua própria revolução criativa?

A resposta está na política de décadas passadas. Enquanto países como Canadá, Coreia do Sul e Reino Unido investiram em incentivos fiscais, formação profissional e proteção trabalhista para criadores digitais, o Brasil fez o oposto: ignorou. Taxou. Burocratizou.

O resultado? Talentos brasileiros trabalham para produtoras estrangeiras. Nossos games são desenvolvidos aqui, mas o lucro sai do país. Nós somos o mercado consumidor e a mão de obra barata. Que ironia.

Qual foi a última política pública federal para games? Quando foi a última vez que um desenvolvedor brasileiro conseguiu crédito facilitado para expandir seu estúdio?

O que é possível quando o Estado finalmente age

Canadá criou um programa de créditos fiscais para produtoras e atraiu bilhões em investimento. A Coreia investiu em educação tecnológica voltada para games desde os anos 2000. Hoje colhem frutos: seus estúdios dominam mercados globais, seus criadores ganham bem, seus países recebem royalties.

Nós podemos fazer o mesmo. Nós precisamos fazer o mesmo.

Precisamos de: incentivo fiscal real para pequenos e médios estúdios. Formação profissional em universidades públicas. Proteção trabalhista para criadores digitais. Acesso a crédito com taxas viáveis. Essa não é uma pauta progressista de luxo. É política econômica inteligente.

O que precisa acontecer agora

Reconhecer a potência é o primeiro passo. Lula fez. Agora vem o trabalho real. Nós precisamos transformar essa conversa em decreto, em orçamento, em ação. O Brasil tem 100 milhões de razões para fazer isso hoje.

Pressione seu deputado. Peça políticas públicas para games. O mercado cresce sozinho. O que falta é o Estado ao lado de quem trabalha. Porque sem criadores, esse R$ 13 bilhões não existe.

Fonte: @LulaOficial no X (Twitter)

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